Sindicato dos motoristas critica reajuste proposto em SP

Patronado ofereceu 4,36% de aumento salarial aos motoristas, mas sindicato pede 10,54%, quase 60% maior

Carolina Freitas, Agência Estado

07 de maio de 2008 | 15h16

O impasse entre empresários e trabalhadores de transporte coletivo da capital paulista promete se estender para além da paralisação desta quarta-feira, 7, pois o reajuste exigido pelos motoristas e cobradores é quase 60 % maior do que a contraproposta feita na terça-feira, 6, pelos patrões. Os motoristas e cobradores pedem 10,54% de reajuste, 5,54% para compensar a inflação de maio de 2007 a abril desse ano e 5% de aumento real. Os empresários propõe 4,36% de reajuste. A data-base da categoria é 1º de maio. O presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), Isao Hosagi, o Jorginho, diz que as empresas têm condições de pagar mais. "O sistema de transportes cresce e transporta a cada dia mais passageiros em novas linhas de ônibus", afirma. "A proposta do sindicato patronal é ridícula, mal paga a inflação do período." Jorginho acusa o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SP-Urbanuss) de atrasar as negociações salariais. "Há três semanas aguardamos uma rodada com os patrões para tratar das reivindicações financeiras." Desde 20 de março, quando os trabalhadores entregaram a pauta à SP-Urbanuss, aconteceram duas rodadas de negociação, com acordos sobre benefícios sociais. O SP-Urbanuss, por meio de assessoria de imprensa, argumenta que o aumento de 4,36% foi apenas a primeira proposta e que o número ainda será negociado com trabalhadores. Para o sindicato patronal, não houve atraso nas rodadas e é habitual que as cláusulas sociais sejam discutidas antes das econômicas. "A pauta vinha se desenrolando normalmente", informa o sindicato patronal em nota à imprensa. Greve Os funcionários de transporte coletivo se reúnem em assembléia-geral nesta sexta-feira, 9, para discutir a proposta de reajuste feita pelos dos patrões e avaliar a possibilidade de uma greve da categoria por tempo indeterminado. "Esperamos que até lá os empresários tenham o bom senso de nos chamar para apresentar uma proposta decente", diz o presidente do Sindmotoristas. "Fizemos o movimento nesse horário (do almoço) para prejudicar o menos possível a população, já que há menos movimento nos ônibus", diz Jorginho.

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