Sindicatos mantêm greve de transporte público na França

Primeiro dia de protesto teve cenas de caos; paralisação ocorre por tempo indefinido.

Daniela Fernandes, BBC

14 de novembro de 2007 | 18h55

Os funcionários do sistema de transporte público da França decidiram permanecer em greve durante a quinta-feira, após um primeiro dia de paralisação marcado por uma situação caótica nas principais cidades do país.O protesto contra os planos do governo francês de reformar o regime de aposentadorias especiais do setor contou com o apoio dos funcionários estatais de gás e eletricidade, que também são afetados pela medida e decidiram entrar em greve.Diferentemente da paralisação realizada em 18 de outubro, a nova greve ocorre por tempo indeterminado. Muitos já comparam a paralisação atual à grande greve de 1995, que deixou a França sem transportes durante várias semanas.Apesar da manutenção da greve, os sindicatos e o governo deram início a novas negociações para tentar encontrar uma solução para o impasse. As autoridades francesas insistem, no entanto, que não aceitam mudar o plano de reforma.Com o início da greve, nesta quarta-feira, milhões de pessoas enfrentaram dificuldades para chegar ao trabalho, e o excesso de veículos causou centenas de quilômetros de congestionamento nas estradas que ligam a periferia à capital, Paris.Trens regionais circularam em ritmo de conta-gotas durante a manhã, linhas suburbanas foram canceladas e apenas 12% dos TGVs, os trens de grande velocidade, circularam. Em Paris, só 20% dos trens do metrô e 15% dos ônibus funcionaram normalmente, mas o Eurostar - que liga a França à Grã-Bretanha - não foi afetado pela paralisação.Os ferroviários e metroviários protestam contra a reforma que prevê o aumento do tempo de contribuição dos atuais 37,5 anos para 40 anos de trabalho.O governo se diz disposto a negociar, mas vem reiterando que esse ponto da reforma "não está aberto a discussões".O presidente francês, Nicolas Sarkozy, quer equiparar o sistema de aposentadorias especiais da categoria ao dos outros servidores públicos, que - depois de outra reforma aprovada em 2003 - passaram a ter de trabalhar 40 anos antes de se aposentar, como no setor privado.A grande maioria dos franceses se opõe à greve do setor de transportes: quase 70% não querem que o governo ceda às reivindicações, segundo a pesquisa conduzida pela empresa OpinionWay e publicada pelo jornal Le Figaro.Algumas associações realizaram até mesmo protestos nas estações de trem contra a greve.A direção da estatal ferroviária SNCF prevê distúrbios pelo menos até o fim de semana, já que, quando os trens ficam parados, é necessário realizar trabalhos de manutenção.Além da paralisação do sistema público de transportes e das estatais de gás e eletricidade, estudantes universitários também estão em greve para protestar contra outra reforma, a que prevê a autonomia financeira e administrativa das faculdades.O movimento vem ganhando força nos últimos dias. Cerca de 20 universidades, de um total de 85, estão parcialmente ou totalmente paralisadas.A nova lei prevê, por exemplo, que as faculdades possam realizar parcerias com empresas, o que os estudantes consideram uma "privatização" do ensino superior.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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