Síria concorda com inspeção de monitores árabes, diz Iraque

A Síria aceitou um plano da Liga Árabe de enviar monitores para observar o levante no país contra o presidente Bashar al-Assad e vai assinar o protocolo sobre isso, informou o ministro de Relações Exteriores do Iraque nesta quinta-feira.

AYMAN SAMIR E DINA ZAYED, REUTERS

24 de novembro de 2011 | 13h31

A aceitação síria à proposta, que o governo de Assad anteriormente havia tentado mudar, parece ser uma última tentativa de evitar as sanções que estão sendo discutidas por chanceleres árabes reunidos no Cairo.

"A Síria concordou totalmente com o protocolo", disse o ministro de Relações Exteriores iraquiano, Hoshiyar Zebari, a jornalistas no Cairo.

Não houve confirmação imediata da Síria e autoridades da Liga Árabe não puderam ser encontradas imediatamente para comentar o assunto.

A Síria não está representada na reunião da Liga Árabe porque sua filiação foi suspensa por ter fracassado em implementar um plano da Liga para acabar com a repressão aos protestos contra Assad.

Zebari disse que os ministros árabes concordaram que a violência deve acabar na Síria, onde mais de 3.500 pessoas foram mortas nos oito meses de agitação, segundo a ONU.

O ministro de Relações Exteriores francês, Alain Juppé, deu mais detalhes da sua proposta de uma "zona segura para proteger os civis" na Síria e disse que iria propor isso aos ministros árabes no Cairo.

Ele explicou que monitores internacionais devem ser enviados para proteger os civis, com ou sem permissão de Assad. Ele insistiu que a proposta não chega a ser uma intervenção militar, mas reconheceu que comboios humanitários precisariam de proteção.

A Liga, que por décadas tem rejeitado tomar medidas contra qualquer Estado-membro, suspendeu este mês a Síria e ameaçou impor ao país sanções ainda não especificadas por ignorar o acordo assinado.

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby, reuniu-se com ministros do Catar, Egito, Argélia, Sudão e Omã, que formam um comitê que acompanha o problema da Síria, antes de uma sessão ministerial completa.

INTERVENÇÃO DE FORA

A ideia da França de intervenção internacional difere de uma determinação compartilhada anteriormente entre as potências mundiais a fim de evitar qualquer conflito direto em um importante país do Oriente Médio.

A Síria vem deslocando tanques e tropas contra manifestantes civis e também contra insurgentes armados que desafiam o governo de Assad, no poder há 11 anos.

Um diplomata árabe na Liga disse mais cedo que a entidade estava considerando que tipos de sanções impor.

"A posição dos Estados Árabes é quase unânime. Todos nós concordamos... que a situação não precisa levar à guerra civil e que nenhuma intervenção estrangeira deve ocorrer", afirmou.

O acordo de 12 de novembro para suspender a Síria foi apoiado por 18 dos 22 membros da organização.

O Líbano, onde a Síria mantém uma presença militar há anos, e o Iêmen, que atualmente enfrenta uma revolta interna, se opuseram à decisão.

O Iraque, cujo governo xiita está mantendo cautela para não ofender o principal aliado da Síria, o Irã, se absteve da votação.

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