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Síria diz ter apreendido carro com 1,2 t de explosivos em Aleppo

Nesta quinta-feira, 55 morreram em explosões de carros-bomba na capital Damasco

DOMINIC EVANS, REUTERS

11 Maio 2012 | 19h00

BEIRUTE - Forças sírias impediram a explosão de um veículo com 1.200 quilos de explosivos na cidade de Aleppo, disse a TV estatal na sexta-feira, 11, um dia depois da morte de 55 pessoas na explosão de dois carros-bomba na capital, Damasco.

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Um suspeito de preparar o atentado foi morto no bairro de Al Shaar, em Aleppo, maior cidade da Síria. A exemplo de Damasco, Aleppo passou meses sob relativa calma, mas tem registrado nos últimos tempos uma intensificação da violência e dos protestos contra o presidente Bashar al Assad.

A dupla explosão de quinta-feira, que além de matar 55 pessoas deixou mais de 300 feridos, foi o mais grave atentado em 14 meses de rebelião contra Assad, a qual é parte da chamada Primavera Árabe.

Os ataques representam uma nova violação do cessar-fogo mediado pelo enviado internacional Kofi Annan, que entrou em vigor em 12 de abril. Apesar da presença de 150 monitores estrangeiros, a violência continua praticamente inalterada.

Autoridades sírias dizem que os atentados foram provocados por terroristas patrocinados pelo exterior, enquanto a oposição culpou o próprio governo. Ninguém assumiu a autoria do ataque de quinta-feira.

A TV Ikhbariya mostrou monitores da ONU inspecionando uma minivan na sexta-feira em Aleppo, e um militar lhes disse que o veículo continha explosivos suficientes para matar 500 pessoas. O corpo ensanguentado do motorista estava curvado no assento dianteiro, detrás de um parabrisa crivado de balas.

O oficial disse que o motorista era estrangeiro, e foi alvejado antes de conseguir detonar as bombas.

Horas depois, uma explosão ocorreu perto da sede do partido governista Baath em Aleppo, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo oposicionista com sede na Grã-Bretanha, acrescentando que a explosão não deixou vítimas fatais, mas que um guarda do local foi morto num tiroteio subsequente.

Ativistas da oposição relataram também que forças de segurança atiraram em manifestantes nas cidades de Damasco, Homs, Hama e Aleppo. Um vídeo, supostamente gravado em Aleppo, mostrou centenas de manifestantes gritando a palavra "pacíficos" numa passeata, antes de se dispersarem ao som de tiros.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos disse que dez civis foram mortos na repressão a protestos na sexta-feira em toda a Síria.

O Conselho Nacional Sírio, de oposição, disse na sexta-feira que o plano de paz de Annan está "morto desde o começo", porque o governo não respeitou o cessar-fogo, e que nações estrangeiras deveriam intervir para proteger os civis sírios.

O grupo disse que os atentados em Damasco foram realizados pelo governo com a intenção de assustar os observadores internacionais.

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