Síria diz ter parado operações militares; ativistas negam

O presidente da Síria, Bashar al Assad, disse ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que as operações policiais e militares contra manifestantes pró-democracia foram suspensas, embora ativistas tenham relatado que mais duas pessoas foram mortas por milicianos pró-governo durante a noite na cidade de Homs, e que houve incursões e a presença de soldados em bairros de Hama e Damasco.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

18 de agosto de 2011 | 08h40

Os Estados Unidos se preparam para formalizar, talvez já nesta quinta-feira, a posição de que Assad deve deixar o poder, e a União Europeia fará o mesmo em seguida, segundo fontes em Washington.

Além da crescente pressão ocidental, Assad enfrenta críticas também de países árabes e da vizinha Turquia por causa da campanha militar contra os manifestantes, que se intensificou desde o início do mês sagrado islâmico do Ramadã, em 1o de agosto.

"Assad está tentando convencer a Turquia de que os ataques pararam, o que também poderia ajudar a agradar os EUA e evitar que Washington peça a sua renúncia", disse um diplomata ocidental em Damasco. "Mas as operações nem pararam."

As autoridades sírias anunciaram a retirada do Exército de Hama e Deir al Zor, mas moradores dizem que ainda há unidades militares nessas cidades. O Exército também está mobilizado em Homs e na litorânea Latakia, e houve relato de ações militares durante a madrugada em Deraa, onde a rebelião começou, em março.

Em telefonema a Assad na quarta-feira, Ban manifestou preocupação com os relatos de violações disseminadas de direitos humanos e de uso excessivo da força por parte de soldados e policiais, disse a ONU em nota.

"O secretário-geral enfatizou que todas as operações militares e prisões em massa devem cessar imediatamente. O presidente Assad disse que as operações militares e policiais haviam parado", segundo a nota.

Um funcionário da ONU declarou na semana passada que quase 2.000 sírios haviam sido mortos desde o início dos protestos. A Síria expulsou a maior parte da imprensa estrangeira, o que dificulta a confirmação dos relatos vindos do país.

Nesta quinta-feira, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, falará em uma sessão fechada do Conselho de Segurança da ONU que discutirá a situação da Síria. Um diplomata antecipou à Reuters que ela defenderá uma investigação internacional, provavelmente recomendando o envolvimento do Tribunal Penal Internacional.

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