Síria pede a países árabes que rejeitem mandado contra Bashir

Liga Árabe condena ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional e reafirma apoio ao presidente do Sudão

Agências internacionais,

30 de março de 2009 | 08h04

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, conclamou os líderes árabes presentes em um encontro em Doha, nesta segunda-feira, 30, a rejeitar um mandado internacional de prisão contra o presidente da Síria, Omar Hassan al-Bashir, relacionada ao conflito em Darfur.

 

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No dia 4, o TPI emitiu um mandado internacional de prisão contra Bashir por supostos crimes de guerra em Darfur. O sudanês, assim, tornou-se o primeiros presidente em exercício a ser indiciado. Falando na abertura da Cúpula Árabe, Assad disse também que a paz entre árabes e israelenses não poderia ser alcançada sem a boa vontade do Estado judeu. "Israel matou a iniciativa, não a cúpula de Doha", disse ele, referindo-se a uma iniciativa árabe de 2002 de oferecer laços normais a Israel em troca de sua retirada das terras árabes tomadas em 1967. Alguns líderes árabes em um encontro em Doha em janeiro defenderam a retirada da proposta por causa da ofensiva de Israel em Gaza.

 

Assad acrescentou que a ordem emitida pelo TPI é "uma das fases para dividir o Sudão, com o objetivo de enfraquecê-lo e obter suas riquezas". O presidente sírio, que interrompeu seu discurso por vários minutos, porque os membros de algumas delegações não tinham ocupado seus assentos e os fotógrafos o impediam de ver os outros presentes, insistiu em que a atuação do tribunal internacional era uma intromissão nos assuntos internos de um país soberano. Além disso, justificou a não aceitação da decisão do tribunal, ao garantir que não se pode respeitar a lei internacional quando esta não emerge dos pactos internacionais.

 

O sudanês chegou no domingo ao Catar, em uma viagem mantida em sigilo. O temor era de que o presidente tivesse seu avião desviado para um país que pudesse prendê-lo e extraditá-lo para Haia, na Holanda, sede do TPI. Ele desafiou a comunidade internacional ao visitar nos últimos dias a Eritreia, Egito, Etiópia e Líbia. O promotor do TPI, Luis Moreno Ocampo, acredita que as viagens de Bashir são " sinal de desespero". "Mais cedo ou mais tarde ele será preso", disse.

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ainda que o presidente sudanês readmita em seu território as 13 ONGs que expulsou do país depois da ordem de detenção. "Peço às autoridades sudanesas que revoguem essa decisão que afeta mais de 1 milhão de pessoas", disse Ban aos líderes dos países da Liga Árabe. Além disso, Ban pediu que os Estados presentes na reunião, entre eles o Sudão, superem as tensões relacionadas à decisão do tribunal internacional, anunciada em 4 de março.

 

Em seu discurso, que começou uma hora depois do previsto, o presidente sírio - anfitrião da cúpula passada - pediu também para se esquecer as diferenças e solucionar os conflitos através do diálogo. Em seguida, o anfitrião do encontro, o emir do Catar, Hamad bin Khalifa al-Thani, que assumiu a Presidência da Assembleia de Chefes de Estado da Liga Árabe, pediu para que o mundo árabe vigie "a tendência" do novo governo israelense e seus efeitos sobre a segurança na região, mas defendeu não suspender o atual processo de paz no Oriente Médio, baseado em uma solução de dois Estados, o israelense e o palestino, ao contrário das declarações de Assad.

 

Protesto da Líbia

 

O líder líbio Muamar Kadafi abandonou intempestivamente a reunião inaugural da cúpula da Liga Árabe depois de denunciar o rei saudita por suas relações com o Ocidente. Durante a reunião inaugural desta segunda-feira, Kadafi pegou o microfone e qualificou o rei Abdullah como "produto britânico e aliado dos americanos".

 

As desavenças entre os dois aparentemente começaram em 2003, quando Kadafi e Abdullah tiveram uma áspera discussão durante uma reunião de cúpula realizada pouco antes da invasão do Iraque por forças estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos em busca de armas de destruição em massa que nunca vieram a ser encontradas.

 

O emir do Qatar, anfitrião do evento, tentou acalmar Kadafi, que a seguir desculpou-se e ofereceu-se para conversar com Abdullah. Pouco depois, Kadafi levantou-se e deixou o recinto. O líder líbio é conhecido por seu temperamento intempestivo e ainda não está claro se ele participará dos demais eventos previstos para os dois dias de cúpula.

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