Síria quer mais tempo para decidir sobre acesso de ajuda humanitária

A chefe humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), Valerie Amos, afirmou nesta sexta-feira que exigiu acesso livre para entregar ajuda humanitária às vítimas dos confrontos na Síria, mas que o governo do presidente Bashar al-Assad ainda não deu permissão.

JONATHON BURCH E TULAY KARADENIZ, REUTERS

09 Março 2012 | 12h39

"O governo sírio pediu mais tempo para avaliar o acordo que eu apresentei a eles. É realmente muito importante, na minha visão, que tenhamos acesso livre", disse ela em Ancara, na Turquia, após uma visita à Síria.

"Entretanto, o governo concordou com um exercício de avaliação limitado pelas agências da ONU e autoridades sírias, o que nos daria alguma informação sobre o que está acontecendo no país."

Falando em uma entrevista coletiva, Amos contou sobre como ficou chocada com o que viu na quinta-feira no bairro destruído de Baba Amr, em Homs, um centro da oposição a Assad.

"Eu fiquei devastada com o que vi, aquela parte de Homs está totalmente destruída, não sobraram pessoas. Aqueles que eu vi estavam buscando seus pertences", contou ela. "E é importante saber o que aconteceu com aquelas pessoas."

Combatentes rebeldes deixaram Homs há uma semana depois de quase um mês de bombardeios pelas forças do governo. Valerie é a primeira autoridade sênior internacional a visitar Baba Amr desde que as forças do governo entraram no local.

Ela se encontrou com o ministro de Relações Exteriores da Síria, Walid al-Moallem, e com outros ministros em Damasco.

"Continuamos precisando de um compromisso mais firme que nos permita ter mais informação sobre o que está acontecendo", afirmou.

GENERAIS SE JUNTAM A REFUGIADOS

Nesta sexta-feira, Valerie visitou refugiados sírios em um campo no sul da Turquia, já que quase 250 pessoas a mais fugiram do conflito e buscaram abrigo do outro lado da fronteira, disse o Ministério de Relações Exteriores Turco.

O número de refugiados sírios que vão para a Turquia aumentou nos últimos dias, segundo autoridades.

Em Ancara, ela se encontrou com o ministro de Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu, que conduzirá uma reunião de chanceleres do grupo "Amigos da Síria", que reúne países árabes e ocidentais, nas próximas semanas para discutir a crise na Síria.

Cerca de 12 mil sírios estão registrados em campos montados na província de Hatay, ao sul da Turquia, segundo o ministério.

Dois generais sírios, um coronel e um sargento estão entre as 234 pessoas que chegaram ao distrito de Reyhanli, em Hatay, nesta sexta-feira, informou uma autoridade do ministério à Reuters.

Ancara se voltou contra o ex-aliado Assad por causa da repressão às manifestações e teme que possa haver massacres nas cidades sírias que sejam redutos da oposição ao seu governo.

A ONU está preparando estoques de alimentos para 1,5 milhão de pessoas na Síria como parte de um plano emergencial de 90 dias, avaliado em 105 milhões de dólares, para ajudar civis privados de suprimentos básicos após quase um ano de conflito.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU afirmou ter distribuído alguns produtos na Síria por meio de agências humanitárias locais, mas não tinha chegado às pessoas nas áreas mais atingidas pela violência.

A ONU estima que mais de 7.500 civis já morreram na ofensiva.

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