Síria recebe apoio iraniano enquanto combates prosseguem em Aleppo

O Irã ofereceu apoio ao presidente da Síria, Bashar al-Assad, enquanto as forças do governo sírio tentavam sufocar os rebeldes na cidade de Aleppo, no norte do país, nesta terça-feira.

HADEEL AL SHALCHI, Reuters

07 de agosto de 2012 | 21h57

Assad apareceu na TV estatal em imagens que mostravam sua reunião com o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Saeed Jalili, um alto funcionário do país que é seu principal aliado regional.

O líder sírio vem tentando reafirmar sua autoridade depois de vários reveses recentes desde o início do levante há 17 meses, os quais culminaram com a deserção de seu primeiro-ministro, Riyad Hijab, na segunda-feira.

Essa foi a primeira imagem de Assad em duas semanas, divulgada um dia depois de a TV mostrar o novo primeiro-ministro, interino no cargo, presidir uma reunião do gabinete de governo convocada às pressas, possivelmente para desmentir notícias de que outros ministros haviam desertado com Hijab.

Jalili disse que seu país não iria deixar sua estreita parceria com os dirigentes sírios ser abalada pelo levante ou por inimigos externos.

"O Irã não vai permitir que o eixo de resistência, do qual considera a Síria uma parte essencial, seja de forma alguma rompido", disse Jalili, segundo a TV síria.

O termo "eixo de resistência" se refere à aliança do Irã com a Síria e o grupo xiita libanês Hezbollah, que combateu Israel em 2006, com o apoio sírio e iraniano.

Assad e seu círculo de poder são alauítas, uma vertente minoritária do islamismo na Síria, onde a maioria é sunita. A seita alauíta é uma ramificação do islamismo xiita, majoritário no Irã.

Os governos sírio e iraniano responsabilizam Estados árabes do Golfo Pérsico (muçulmanos sunitas) e a Turquia --todos aliados dos Estados Unidos e de potências europeias-- pelo derramamento de sangue na Síria, por apoiarem os grupos rebeldes, majoritariamente sunitas.

As potências ocidentais têm simpatia pelos rebeldes, mas temem que islamistas sunitas anti-Ocidente se beneficiem de uma vitória das forças anti-Assad.

Segundo a agência iraniana Fars, Jalili disse a Assad que o Irã está preparado para prover ajuda humanitária à Síria.

TURQUIA

Em visita para reparar as relações com a Turquia, o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, disse querer trabalhar com o governo turco para resolver a crise.

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, descreveu como "preocupante" um comentário feito na segunda-feira pelo principal general iraniano, que acusou a Turquia, Arábia Saudita e Catar pelos confrontos sangrentos na Síria.

O Irã está preocupado também com os mais de 40 iranianos que, segundo informou, são peregrinos e foram sequestrados no sábado por rebeldes quando viajavam em um ônibus em Damasco, onde visitavam santuários xiitas.

Salehi escreveu ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pedindo ajuda para conseguir a libertação deles.

Os insurgentes dizem suspeitar que os iranianos sejam soldados enviados para ajudar Assad. Um porta-voz dos rebeldes disse na segunda-feira que três dos iranianos cativos morreram em um bombardeio de forças do governo.

Sem citar o Irã ou potências sunitas, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, alertou contra o risco de o país mergulhar em uma "guerra sectária" e disse que os Estados Unidos não vão tolerar "o envio de combatentes terroristas" para explorar o conflito sírio.

Enquanto as forças de Assad tentam retomar o controle de Aleppo, os combates continuam em vários pontos do país, segundo os insurgentes.

O grupo oposicionista Observatório Sírio de Direitos Humanos, que monitora a violência, afirmou que mais de 270 pessoas, incluindo 62 soldados, foram mortos na Síria na segunda-feira, uma das cifras mais elevadas no levante, no qual os ativistas dizem já ter morrido pelo menos 18 mil pessoas.

(Reportagem adicional de Khaled Oweis, Mariam Karouny, Yara Bayoumy e Tom Perry, em Beirute)

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