Síria tem tiros e explosões após Assad aceitar plano de paz

As forças do governo sírio mantiveram nesta quarta-feira o cerco e os ataques contra redutos da oposição, apesar de o presidente Bashar al-Assad ter aceitado um plano de paz que prevê a volta do Exército aos quartéis, segundo ativistas.

ERIKA SOLOMON E DOUGLAS HAMILTON, REUTERS

28 Março 2012 | 10h20

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha, relatou ações militares contra cidades e aldeias em vários pontos do país, inclusive Homs, onde na terça-feira Assad percorreu as ruas devastadas depois de quase um mês de cerco e bombardeios no mês passado.

"Forças militares acompanhadas por dezenas de blindados invadiram a cidade de Qalaat al-Madiq e aldeias próximas (na província de Hama)", disse o site do Observatório. "Isso ocorre após semanas de intensos disparos de canhões e morteiros, e várias frustradas tentativas de invadir a cidade."

"O regime tem bombardeado nossa cidade há 18 dias, eles estão destruindo nossa antiga fortaleza", disse o ativista que se identificou como Abu Dhafer.

"Milhares de pessoas fugiram, e moradores de aldeias próximas foram para casas em áreas seguras. Eles estão amontoando gente em suas casas, dúzias em um quarto, homens, mulheres, crianças. Os rebeldes deixaram a cidade, que está cercada e sendo alvejada, e não temos armas suficientes para reagir."

O enviado especial conjunto da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, anunciou na terça-feira que Assad aceitou um plano com seis itens, entre eles a desocupação militar das cidades e a instauração de um diálogo político na Síria.

No entanto, Estados Unidos e outras potências ocidentais receberam a notícia com ceticismo, dizendo que esperam ações concretas de Assad.

Segundo o Observatório de Direitos Humanos, combates entre tropas do governo e forças rebeldes começaram ao alvorecer em Basr al-Harir, ao sul de Deraa, depois de as forças de segurança ordenarem aos moradores que entregassem os rebeldes sob pena de serem atacados.

Também na manhã desta quarta-feira, o Exército tentou invadir a localidade de Rastan, na província de Homs (centro), num confronto que deixou três soldados mortos e pelo menos quatro rebeldes feridos. Morteiros explodiram na Cidade Velha de Homs, segundo os ativistas.

Adversários de Assad aglutinados em torno do Conselho Nacional Sírio estão céticos quanto ao plano de Annan e à adesão de Assad e continuam pressionando pela renúncia do presidente.

"Ele está ganhando tempo. Isso significa mais assassinatos. Ele está jogando", disse Adib Shshakly, membro do CNS. "A cada hora estamos perdendo cinco pessoas. Então, realmente tempo é vida."

(Reportagem adicional de Arshad Mohammed, em Washington; de Oliver Holmes, em Beirute; e de Khaled Yacoub Oweis, em Istambul)

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