Sírio morre por ferimentos, protestos começam 5a semana

Um homem que levou um tiro nessa semana de atiradores leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad, morreu neste sábado, disse um grupo defensor dos direitos humanos, aumentando as tensões existentes na cidade costeira de Banias, onde o Exército está posicionado para conter os protestos.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

16 de abril de 2011 | 11h37

Osama al-Sheikha, de 40 anos, estava entre um grupo de homens, alguns armados com bastões, que protegiam uma mesquita em Banias no domingo, depois de protestos massivos contra o governo de 11 anos de Assad.

Forças leais ao presidente, conhecidas como "al-shabbiha", atiraram contra os manifestantes com fuzis AK-47 de carros em alta velocidade, segundo testemunhas.

Algumas pessoas que estavam em seu funeral no sábado gritavam "liberdade, liberdade... os assassinos serão responsabilizados", segundo as testemunhas. Seu funeral foi realizado na mesquita Abu Bakr al-Siddiq, onde ele estava mantendo guarda quando levou o tiro.

Sua morte, a quinta desde que começaram os protestos, aumentou o clima de instabilidade em Banias, que também testemunhou tensões sectárias entre a população de maioria sunita e da minoria Alawi após os protestos.

O presidente Bashar al-Assad, que pertence à minoria Alawi, uma ramificação reservada do islamismo xiita na Síria, disse que os protestos pró-democracia que irromperam na cidade de Deraa, no sul da Síria, eram uma conspiração do exterior para semear o conflito sectário.

Os protestos massivos começaram há mais de um mês e se espalharam para grandes partes do país.

Neste sábado, mais de mil mulheres marcharam em Banias, realizando um protesto inteiramente feminino pela democracia, disse um ativista dos direitos humanos.

"Nem sunita, nem Alawi. A liberdade é tudo o que queremos", gritavam as mulheres, segundo o ativista que estava na cidade.

O pai de Assad, o falecido presidente Hafez al-Assad, usou linguagem semelhante ao atual líder quando esmagou um desafio esquerdista e islâmico durante seu governo de ferro nos anos 1980, mas a advertência, desta vez, não conseguiu encerrar a onda de protestos.

Os protestos chegaram à capital Damasco na sexta-feira pela primeira vez. Milhares de manifestantes marcharam em outras partes do país apesar da repressão e das vagas concessões políticas anunciadas por Assad, na tentativa de apaziguar a insatisfação política.

Gritando "Deus, Síria, Liberdade", os manifestantes repetiram a mesma demanda por uma reforma democrática e liberdades, em diversas cidades.

PADRÃO DE DESAFIO

Em Damasco, as forças de segurança usaram bastões e gás lacrimogêneo para impedir que milhares de manifestantes marchassem dos subúrbios e chegassem à praça principal de Abbasside.

"Eu contei 15 ônibus da mukhabarat (a polícia secreta)", disse uma testemunha. "Eles entraram pelos becos ao norte da praça, perseguindo manifestantes e gritando 'seus cafetões, seus infiltradores, vocês querem liberdade? Daremos a vocês'".

À medida que os protestos entravam em sua quinta semana, as maiores manifestações e as mais violentas ocorreram depois das orações de sexta-feira, muitas vezes em desafio às concessões anunciadas pelas autoridades no dia anterior.

A emissora de televisão Al Jazeera exibiu imagens na sexta-feira das forças de segurança sírias agredindo os manifestantes detidos com bastões, chutes e pisadas, na cidade costeira de Baida. Segundo a emissora, as fotos foram tiradas alguns dias atrás.

Estima-se que 200 pessoas já morreram durante os protestos, principalmente quando as forças de segurança atacaram os manifestantes, segundo defensores dos direitos humanos.

As autoridades disseram que grupos armados não-especificados e "infiltrados" eram responsáveis pela violência e que policiais e soldados também foram mortos, incluindo um policial na cidade de Homs, no centro do país, na sexta-feira.

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