Sírios exigem liberdade depois da promessa de Assad

Manifestantes sírios gritavam palavras de ordem exigindo mais liberdade, durante um comício pelo Dia da Independência na cidade Suweida, neste domingo, disse uma testemunha, um dia depois do presidente Bashar al-Assad prometer suspender a lei de emergência.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

17 de abril de 2011 | 11h59

O comício aconteceu para marcar o Dia da Desocupação, comemorando a saída dos últimos soldados do exército francês, há 65 anos e a proclamação da independência da Síria.

Simpatizantes de Assad também estiveram no comício, declarando sua lealdade ao presidente.

Assad disse no sábado que a lei de emergência, em vigor há quase 50 anos, seria suspensa até a semana que vem. Mas ele não falou sobre as exigências dos manifestantes para que ele reduza o sistema de segurança da Síria e desmantele o seu sistema autoritário.

"Deus, Síria, liberdade, apenas isso," gritavam centenas de manifestantes no meio da multidão. Eles também gritavam "nada de medo" e slogans de apoio à cidade de Deraa, onde os primeiros protestos começaram há um mês e onde tem acontecido o maior banho de sangue.

Grupos de direitos humanos dizem que mais de 200 pessoas foram mortas desde que os protestos contra a prisão de jovens, que haviam feito grafites inspirados pelas revoltas árabes do norte da África, começaram no dia 18 de março.

A agitação sem precedentes se espalhou por todo o país rigorosamente controlado, tornando-se o maior desafio enfrentado até hoje por Assad, de 45 anos, que assumiu a presidência em 2000, quando seu pai, Hafez al-Assad, morreu, depois de trinta anos no poder.

As autoridades comprometeram-se a substituir a repressiva lei de emergência por uma legislação antiterrorismo, mas membros da oposição disseram que isso provavelmente serviria para manter severas restrições à liberdade de expressão e de reunião na Síria, sob o governo do partido Baath desde 1963.

"Quando o pacote de suspensão da lei de emergência entrar em vigor, ele deverá ser firmemente aplicado. O povo sírio é civilizado. Ele ama a ordem e não aceita o caos e a anarquia," disse Assad ao novo ministério nomeado por ele na semana passada.

A lei de emergência proíbe reuniões públicas de mais de cinco pessoas e serviu para sufocar qualquer dissidência pública, até que os sírios começaram a tomar as ruas encorajados pelas revoltas populares que derrubaram os líderes autocráticos no Egito e na Tunísia.

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