Sírios fogem de Aleppo; rebeldes preparam nova ofensiva

Rebeldes que enfrentam as forças do governo sírio em Aleppo disseram estar se preparando para um novo ataque na sexta-feira, e moradores usaram uma tênue pausa nos combates para fugirem em carros lotados de pessoas e bagagens.

HADEEL AL SHALCHI, Reuters

10 de agosto de 2012 | 09h03

Os rebeldes foram rechaçados na quinta-feira pelas forças governamentais que tentam reafirmar o controle do presidente Bashar al-Assad sobre Aleppo, polo econômico e maior cidade do país, numa batalha crucial para um conflito que já dura 17 meses.

"Tenho cerca de 60 homens posicionados estrategicamente na linha de frente, e estamos preparando um novo ataque hoje", disse Abu Jamil, comandante rebelde em Aleppo. Os combates se concentram principalmente no bairro de Salaheddine, no acesso sul da cidade.

"Um dos meus homens está morto e dentro de Salaheddine. Já faz dois dias e não consigo retirar seu corpo, porque os disparos dos franco-atiradores são muito intensos", disse Abu Jamil.

Durante uma interrupção dos combates, jornalistas da Reuters viram moradores deixando Aleppo com seus carros carregados de colchões, geladeiras e brinquedos. Pelo menos dois aviões da Força Aérea sobrevoavam a área.

Os rebeldes, oriundos principalmente da maioria sunita da população, têm apoio de vários governos ocidentais e árabes. Já Assad, da seita minoritária alauíta, possui como principais aliados a Rússia e a China, que o protegem de qualquer resolução da ONU que possa implicar sanções.

Por causa desse impasse, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse em nota que "não haverá vencedor na Síria".

"Enfrentamos agora a sombria possibilidade de uma guerra civil prolongada destruindo a rica tapeçaria de comunidades entrelaçadas na Síria", disse o texto lido por um representante de Annan durante uma conferência promovida pelo Irã na quinta-feira, reunindo governos simpáticos a Assad.

Durante o evento, o governo iraniano defendeu negociações "sérias e inclusivas" entre o governo e a oposição.

Todas as tentativas de negociação feitas até agora fracassaram, e o impasse levou à renúncia do mediador internacional Kofi Annan. Diplomatas disseram que o veterano ex-chanceler argelino Lakhdar Brahimi pode ser nomeado na semana que vem para o lugar de Annan.

(Reportagem adicional de Mariam Karouny em Beirute, Arshad Mohammed em Washington, Yeganeh Torbati em Dubai, Marcus George, William Maclean e Maria Golovnina em Londres e Stephanie Nebehay em Genebra)

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