Sírios protestam em Homs apesar de nova lei contra manifestações

Os sírios saíram às ruas da cidade de Homs mais uma vez nesta quarta-feira, onde ativistas afirmam que mais de 20 manifestantes pró-democracia foram mortos a tiros desde segunda-feira por soldados e forças irregulares leais ao governo.

KHALED YACOUB OWEIS, REUTERS

20 de abril de 2011 | 15h37

Os manifestantes cantavam pela "queda do regime", desafiando as forças de segurança e uma advertência das autoridades para que parem com todas as formas de manifestações contra o presidente Bashar al-Assad.

O protesto também aconteceu apesar de uma concessão feita pelo governo, que aprovou uma lei na terça-feira para pôr fim ao estado de emergência que vigorou pelos últimos 48 anos.

Na cidade de Banias, no que foi percebido como outra tentativa de acalmar os manifestantes, o chefe de polícia foi exonerado, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

Cinco civis foram mortos em Banias na semana passada. Os moradores identificaram Amjad Abbas, o chefe de polícia exonerado, como um dos oficiais vistos espancando um morador na cidade vizinha de Baida, disse o Observatório, citando fontes em Damasco.

Além do projeto sobre a lei de emergência, o gabinete recém-empossado também aprovou uma lei que exige que os sírios obtenham uma autorização do Estado antes de qualquer manifestação.

As forças de segurança cercaram Banias na semana passada, depois de manifestações contra al-Assad e contra um ataque promovido por forças irregulares leais a ele contra homens que guardavam uma mesquita sunita.

Inspirados pelas insurreições ao redor do mundo árabe, os manifestantes têm saído às ruas há mais de um mês exigindo uma liberdade maior, sem se intimidar com a repressão.

Grupos de defesa dos direitos humanos pediram a realização de investigações independentes sobre as ações das forças de segurança. Eles afirmam que mais de 200 pessoas foram mortas desde o início do levante.

Horas antes da decisão do gabinete na terça-feira, o Ministério do Interior pediu que os cidadãos evitassem todos os protestos. Os ativistas afirmaram que o comunicado do ministério e o fato de as autoridades terem prendido um membro da oposição de esquerda na noite de terça sugerem que a iniciativa do governo para suspender a lei de emergência não cessará a repressão.

Os protestos continuaram pela noite, incluindo em Zabadani, um subúrbio de Damasco, onde os manifestantes pediam por liberdade e pela derrubada do governo de Assad, ecoando os gritos de protesto das insurreições na Tunísia e no Egito.

Houve também protestos em Jabla, na costa, um comício de mulheres em Barzeh, em Damasco, e uma procissão à luz de velas em Tel, perto da capital, durante a noite.

Na segunda maior cidade da Síria, Aleppo, as forças irregulares de Assad reprimiram uma pequena manifestação na universidade da cidade, espancando diversos estudantes e prendendo 37, disse um ativista de direitos humanos.

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