Sírios protestam em várias cidades após discurso de Assad

Manifestantes saíram às ruas de várias cidades sírias nesta segunda-feira para protestar contra um discurso do presidente Bashar al-Assad, por considerar que ele não atendeu às exigências populares de amplas mudanças políticas, disseram testemunhas e ativistas.

REUTERS

20 Junho 2011 | 11h58

"Não ao diálogo com assassinos", gritaram 200 manifestantes no subúrbio de Irbin, em Damasco, disse uma testemunha à Reuters, por telefone, enquanto se ouviam os slogans.

Em um discurso na Universidade de Damasco, concentrado em questões de segurança, Assad atribuiu nesta segunda-feira as manifestações que exigem o fim de seus 11 anos de governo a "sabotadores" infiltrados, que integram uma conspiração internacional para semear o caos no país.

Sob crescente pressão internacional e tendo de enfrentar protestos de rua cada vez maiores, apesar de uma repressão militar que já matou mais de 1.300 pessoas, Assad disse que as reformas políticas que ele iniciou desde o levante que já dura três meses iriam estabilizar o país e atender aos descontentes. Assad é membro da denominação muçulmana alauíta, minoritária na Síria.

Mas nos bairros sunitas de Sleibeh e Raml al-Filistini, na cidade costeira de Latakia, onde vários bairros sunitas estão cercados há semanas pelos militares, os manifestantes gritavam "mentiroso, mentiroso".

Na cidade de Hama, cenário de uma repressão militar que esmagou uma revolta liderada pela Irmandade Muçulmana, em 1982, na qual morreram milhares de pessoas, no governo do pai de Bashar, Hafez Assad, os manifestantes gritavam "maldição à sua alma, Hafez".

Houve também protestos em cidades perto da fronteira com o Iraque, no sul e outras localidades, disseram ativistas.

(Reportagem de Khaled Yacoub Oweis)

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