Sistema acirra concorrência entre bancos

Aumento da transparência quase causou o cancelamento do sistema

, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

A transparência de informações sobre sacados e sacadores criou um ambiente de desconfiança entre bancos concorrentes que por pouco não inviabiliza a criação do DDA. Além de ser um instrumento facilitador da vida de quem participa do sistema financeiro, o DDA também criou um terreno bastante propício para novas batalhas na guerra concorrencial travada entre os bancos pela captação de clientes. Notadamente os mais ricos, com maior capacidade de poupança e aqueles considerados bons pagadores.

Na área empresarial, companhias de todos os portes, pela capilaridade de suas relações com os agentes do mercado, são os alvos mais cobiçados.

O problema é que o sistema é uma avenida de mão dupla, isto é, o mesmo banco que em inúmeras situações vai emitir o boleto eletrônico de cobrança, em muitas outras ocasiões também será responsável pelo movimento de pagamento. Ora seu cliente será o sacador, que vai receber, ora será o sacado, que vai pagar.

Nas compensações de operações entre bancos diferentes em cada uma das pontas do negócio, a visualização de informações é imediata. À medida que a participação do público dentro do sistema crescer, por meio de pessoas físicas ou jurídicas, cada vez mais os bancos saberão sobre a verdadeira situação de caixa dos correntistas ligados a outras instituições.

DESCONFIANÇA

Fontes que participaram de todo o processo de criação e implantação do modelo ao longo dos últimos três anos informam que a situação de transparência interbancária provocou desconfianças nas mesas de negociações anteriores à inauguração do DDA.

O receio dos banqueiros quanto à revelação dos seus melhores clientes aos concorrentes chegou a adiar o necessário consenso interbancário para a implantação do sistema, que sem a participação da grande maioria das instituições estaria inviabilizado.

A questão foi superada em razão da grandiosidade de toda a operação e o vislumbre de ganhos agora e lucros no futuro: um dos efeitos imediatos do DDA foi a redução de R$ 0,99 para R$ 0,55 das tarifas interbancárias para a compensação de boletos.

Não há previsão, porém, sobre a possibilidade de o sistema abrandar as tarifas bancárias praticadas atualmente, em outras áreas dos bancos, sobre os clientes.

De acordo com fonte da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), antes que isso aconteça será necessário que as instituições financeiras amortizem os investimentos no desenvolvimento da tecnologia, calculados em R$ 20 milhões.

Além deles, mais R$ 77 milhões serão aplicados em remuneração à Tivit, empresa de tecnologia da informação vencedora da concorrência para a operação do novo sistema eletrônico de pagamentos.

Enquanto a CIP é o cérebro e o coração (caixa) do novo modelo, a Tivit representa seus braços e pernas ao operar mais de 90% do volume de transações diárias feitas entre as instituições financeiras.

Um novo empecilho para a criação do sistema, detectado à altura de outubro do ano passado, se deu quando os técnicos perceberam que não existia dispositivo para os clientes negarem a realização de pagamentos devidos, uma faculdade que, mesmo passível de multas e punições, é inerente a todo correntista.

"Daí surgiu a expressão autorizado depois de débito direto", lembra a diretora de Produtos de Pessoa Jurídica do Itaú Unibanco, Sandra Boteguim. "Criou-se, assim, o mecanismo pelo qual só se procede o pagamento mediante expressa autorização da fonte sacada, ou seja, do correntista."

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