Sistema eleitoral dos EUA precisa de reforma, mas não é fácil

Os eleitores da Flórida continuavam depositando seus votos mais de seis horas depois do horário previsto para o encerramento da eleição de terça-feira. Em Ohio, eleitores registrados eram informados de que seus nomes não estavam nas listas. E na Pensilvânia novas leis sobre a identificação do eleitorado causaram confusão nas seções de votação.

DEBORAH CHARLES, Reuters

08 de novembro de 2012 | 21h06

Problemas desse tipo se tornaram comuns nos Estados Unidos nas últimas eleições gerais, mas um comentário do presidente norte-americano reeleito, Barack Obama, ofereceu uma pequena esperança de que esses transtornos finalmente serão resolvidos.

No discurso de celebração de sua reeleição, proferido enquanto alguns moradores da Flórida continuavam na fila para votar, Obama deixou claro que estava ciente dos problemas no sistema eleitoral do país.

"Quero agradecer a cada norte-americano que participou desta eleição, tenham vocês votado pela primeira vez, ou esperado na fila por muito tempo", disse Obama em Chicago. "Aliás, precisamos consertar isso."

Isso animou os partidários da reforma, que há anos propõem uma simplificação das leis eleitorais, a atualização dos antiquados sistemas de registro e até a ampliação da votação antecipada, como forma de reduzir as filas no dia da eleição.

Mas os governos estaduais são muito ciosos do seu controle sobre as leis eleitorais e resistem à adoção de qualquer sistema nacional. Republicanos e democratas também se opõem a um sistema nacional de registro de eleitores.

Na última campanha eleitoral, vários Estados aprovaram regras rígidas sobre a solicitação de documentos dos eleitores, mas a Justiça derrubou várias dessas medidas por temor de que elas cerceassem os direitos dos cidadãos.

"Geralmente sou pessimista, mas estou um pouco mais otimista agora que (o problema) foi mencionado no discurso de vitória do presidente, pelo menos de que isso será uma prioridade para o governo", disse Rick Hasen, autor do livro "Voting Wars" e professor de direito da Universidade da Califórnia, em Irvine.

A mudança, segundo Hasen, poderia começar com a ampliação da votação antecipada e possivelmente com a adoção da votação por correio. Neste ano, as Assembleias de Flórida e Ohio, controladas por republicanos, reduziram o prazo da votação antecipada, com a justificativa de combater fraudes.

Democratas e ativistas do direito eleitoral dizem que há poucos casos de fraude e argumentaram que o objetivo real das novas leis era dificultar o voto de democratas e de minorias específicas que costumam votar antecipadamente em grande número. A Justiça revogou algumas das mudanças, mas a votação antecipada na Flórida acabou sendo reduzida de 14 para 8 dias, e Ohio só preservou um fim de semana para isso.

O resultado das restrições ao voto antecipado foi o surgimento de filas que se estendiam por vários quarteirões no dia da votação. Na Flórida, mesmo durante a votação antecipada, havia pessoas esperando de seis a sete horas para votar.

Houve grande demora também em Ohio e Virgínia, Estados que eram eleitoralmente estratégicos, e em Nova York e Nova Jersey, que foram duramente atingidos dias antes pela tempestade Sandy.

Os atrasos foram agravados por problemas no registro em algumas seções, enquanto outras ficaram sem cédulas ou registraram defeitos em urnas eletrônicas. Em alguns lugares, os eleitores precisavam encarar uma cédula com até 12 páginas, o que também contribuiu com as filas. A linha telefônica especial da entidade Proteção Eleitoral recebeu quase 89 mil queixas.

Em alguns Estados, como Pensilvânia e Ohio, a confusão com a apresentação de documentos e dúvidas sobre os registros também causaram atrasos. Em caso de dúvidas, eleitores eram barrados, ou orientados a votar em cédulas provisórias.

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