Sistema usa menos adubo

Como plantas não podem ficar muito altas, aplicação de fertilizante nitrogenado deve ser reduzida

Da Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2009 | 02h40

A principal diferença do plantio adensado é o espaçamento, explica o agrônomo e consultor Wanderley Oishi. Enquanto no sistema convencional trabalha-se com distância de 90 centímetros entre as fileiras, no adensado a entrelinha é de 45 centímetros, como o da soja, o que permite o uso da mesma máquina para o plantio.

 

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Outra diferença é o porte. No sistema adensado o ideal é que as plantas atinjam, no máximo, 80 centímetros, e tenham menor número de capulhos (maçãs) por planta e por galho reprodutivo. Isso é feito com o uso de regulador de crescimento e restrição de adubo, principalmente o nitrogenado.

"Com a redução da adubação e maior uso de reguladores de crescimento obtém-se um ciclo menor da lavoura, reduzindo o tempo de 180 a 200 dias para 150 a 170 dias", explica o agrônomo. Por isso, diz, variedades precoces, com características de menor porte ou com arquitetura "cluster" (pouca ramificação lateral), são as mais indicadas.

Outra característica do plantio adensado é que as plantas ficam mais juntas e a lavoura fecha mais rápido, em torno de 35 a 40 dias, o que elimina a competição do mato, complementa o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC-Apta), de Campinas (SP), Luiz Henrique Carvalho. "Neste período o índice de área foliar (cobertura) está em torno de 2,5 a 3. Significa que o solo está totalmente coberto. No plantio convencional, a lavoura só atinge este índice com 65 a 70 dias."

Até 30% de economia

Conforme Oishi, a principal vantagem do sistema adensado é a redução de custos, justamente o que os cotonicultores brasileiros buscam. Dados preliminares apontam redução de 20% a 30% no custo de produção. "Conseguimos isso pela redução de ciclo e menor uso de adubações e demais insumos, como inseticidas e fungicidas e operacionais", destaca o consultor.

Outro ponto importante, confirma Oishi, é que este sistema permite ao produtor, em região com maior período de distribuição de chuvas, fazer duas safras anuais na mesma área. Ou seja, o algodão surge como opção na safrinha. "Pode-se plantar a soja em setembro, fazer a colheita em janeiro e plantar o algodão adensado em janeiro, para colher em julho."

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