Site americano promove namoro com presidiários

O amor já foi muitas vezes comparado a uma prisão, mas o site Hot Prision Pals parece levar isso às últimas conseqüências. Quem gosta de "bad boys" tatuados, musculosos e com cabelo raspado deve se encantar, ainda que os galãs não tenham como aparecer na porta da pretendente com uma rosa, prontos a enchê-la de beijos e levá-la a um restaurante fino. Da prisão, o máximo que eles podem fazer é escrever cartas, poemas e até propostas de casamento. As pessoas têm de encarar a medida como um investimento para o futuro. Keith Virgil Dunaway, por exemplo, que no site aparece sem camisa e com uma calça jeans, sai da cadeia nos Estados Unidos ainda neste ano. Já para namorar Randy Sands, que de uma prisão da Flórida procura uma balzaquiana liberal e tranqüila, é preciso um pouco mais de paciência, uma vez que ele só ganha a liberdade em 2023. A idéia do site Hot Prison Pals ("colegas quentes da prisão", literalmente) surgiu do artista pop nova-iorquino Sam Wagner, que há anos começou a escrever cartas para um amigo preso. Esse amigo então pediu a Wagner que escrevesse também para seus colegas de cela, que haviam deixado de receber cartas de suas famílias. Outros prisioneiros solitários continuaram pedindo para se corresponder, até que Wagner estava enviando mensalmente mais de cem cartas a detentos. Sem acesso à internet, as cartas são freqüentemente o único contato dos presos dos EUA com o resto do mundo. "Os prisioneiros têm reais questões de abandono. Amigos e família muitas vezes param de escrever após alguns anos", disse Jason Rupp, sócio de Wagner, que abriu o site em 2003. "As cartas que eles recebem por meio do site são cruciais para seu bem-estar. Eles precisam saber que alguém do lado de fora liga para eles." Como funciona O site garante ter vasculhado "cada beliche, em cima e em baixo, procurando os homens com os quais você sonhou". Os presos - hetero ou homossexuais - pagam US$ 19 para divulgar sua foto e um recado pelo site. Mulheres presas também podem participar, embora até agora nenhuma tenha aparecido. "Não pedimos aos presos que digam que crime cometeram", disse o fotógrafo Rupp, 30 anos, que dirige o site em sua casa, em Bangcoc, na Tailândia. "Aceitamos todo mundo. Se são homicidas ou estupradores, não vão colocar isso no anúncio." Um dos participantes mais populares, Tommy DeWayne Cox, aparece com uma sunga apertada e se descreve com uma só palavra: HOT, "quente", tudo em maiúsculas. "Às vezes as mensagens ficam um pouco fortes, e gostamos disso", disse Rupp. "Nós nos orgulhamos de ter os prisioneiros mais quentes da internet." A amizade epistolar muitas vezes leva a visitas nas prisões e a relacionamentos de longo prazo. O casamento de Erik Menendez - condenado com seu irmão Lyle por terem matado em 1989 seus pais, milionários de Beverly Hills - alimentou o interesse popular pelo relacionamento com presos. Menendez se casou com uma mulher com quem passou anos se correspondendo na prisão. Tammi, a esposa, escreveu um livro Eles disseram que nunca conseguiríamos, em que romantiza fortemente esse relacionamento não consumado. "É uma excitação para as mulheres. São caras bonitos, e eles podem parecer realmente exóticos vistos de fora. É uma fantasia, você não vê os defeitos deles", disse Rupp.

Agencia Estado,

12 Fevereiro 2007 | 11h58

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