Site de curso de inglês do MEC tem problemas

Plataforma online do Inglês Sem Fronteiras tem instabilidade; ferramenta é aposta para envio de mais estudantes ao exterior

DAVI LIRA, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h07

Principal medida adotada pelo governo federal para melhorar o nível de inglês dos bolsistas do Ciência sem Fronteiras (CsF), a plataforma de ensino My English Online (MEO) vem apresentando uma série de problemas técnicos - mesmo tendo sido liberada apenas para 90 mil candidatos. O número representa menos de 5% das senhas que devem ser fornecidas. O baixo nível de inglês dos estudantes candidatos é o grande gargalo para que o programa alcance as metas definidas pelo governo.

A plataforma MEO foi lançada no início do mês. A previsão do governo é liberar pelo menos 2 milhões de senhas de acesso a alunos de universidades públicas e de instituições privadas - eles precisam ter obtido no mínimo 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

As dificuldades começam logo no início das inscrições para o programa, segundo relatos de estudantes recebidos pela reportagem. Há casos em que nem a inscrição inicial foi confirmada pelo órgão administrador, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) - ligada ao Ministério da Educação (MEC). Além disso, muitos estudantes pré-selecionados ainda não conseguiram receber a senha para realizar o curso - e dos que receberam, esse envio só ocorreu depois de duas semanas.

"Infelizmente, tudo que consegui foi aceitar os termos de adesão ao sistema. Mas como a página não carrega, meus dados não conseguiram ser enviados. Já tentei várias vezes", diz a aluna de Engenharia Ambiental da Universidade de Goiás Isis Terra, de 22 anos.

Infraestrutura. Conforme o Estado apurou, o Ministério da Educação (MEC) pode ter desconsiderado a capacidade máxima de infraestrutura tecnológica suportada pela ferramenta, uma vez que a ideia inicial do programa era ter no máximo 100 mil inscritos, não 2 milhões.

O resultado disso é que o portal sofre com instabilidades, de acordo com estudantes. Também houve falhas na construção de uma ferramenta de orientação técnica aos participantes.

"O formulário de contato está com problemas. Não conseguimos enviar as dúvidas que temos para a Capes. Além disso, o sistema vive em manutenção", diz Cesar Augusto Nogueira, de 22 anos, aluno de Sistemas de Informação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Pela ausência de informações claras da Capes, Nogueira resolveu criar um página no Facebook com o mesmo nome do programa para compartilhar dúvidas em comum, além de críticas. A página já tem mais de 600 participantes.

Nivelamento. As dificuldades enfrentadas pelo estudante Cristiano Faustino, de 21 anos, revelam brechas que podem comprometer a qualidade do curso. "Logo no início o sistema me disse que eu estava no nível 2. Porém, mesmo sem ter feito as aulas, já fui passado de nível e já estou no terceiro", conta ele, aluno de Ciência da Computação da UFSCar. O extenso teste de nivelamento, que pode durar mais de duas horas, também é motivo de queixa dos alunos.

Existe outro empecilho que impede que candidatos de instituições privadas acessem a ferramenta. Muitos deles receberam e-mails formais comunicando que não poderiam participar do MEO, já que não realizaram todas as edições do Enem desde 2009. As mensagens foram encaminhas à reportagem.

"Por que eu continuaria fazendo um exame de ensino médio já estando na graduação?", questiona Gabriel Domingues, estudante da Universidade de Mogi das Cruzes (SP). Domingues realizou o exame em 2009 e atingiu 738 pontos, pontuação superior aos 600 pontos exigidos para participar do curso online.

Consultada, a Capes diz que "não é necessário que o estudante de instituição privada tenha feito prova em todas as edições do Enem". A informação, no entanto, contradiz o informe divulgado no site do próprio MEC, que explicita a exigência de todas as edições do Enem.

Sobres os problemas relatados pelos estudantes, o órgão diz que o MEO é "uma plataforma estável e muitos dos problemas se dão pelo fato dos usuários não seguirem as instruções dos tutoriais".

Em relação ao teste de nivelamento, a Capes informa que é "improvável que o candidato caia no nível inadequado".

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