Sitiante quer divulgar frutas raras

Sejam nativas ou exóticas, idéia de Helton Muniz é preservar várias[br]espécies e garantir renda aos interessados

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2008 | 03h02

Pequenos agricultores da colônia japonesa de Mombuca, em Guatapará, região de Ribeirão Preto (SP), pretendem investir em breve no cultivo de frutas nativas e exóticas. Vinte deles acompanharam, na semana passada, a palestra do colecionador Helton Josué Teodoro Muniz, de Campina do Monte Alegre (SP), que apresentou dados sobre 40 dessas frutas e suas potencialidades."Há potencial para grandes lavouras, mas, como poucos agricultores conhecem, temos que começar pelos pequenos produtores", disse Muniz. Em seu pomar, no Sítio Frutas Raras, à margem da Rodovia Raposo Tavares, ele cultiva 664 espécies, sendo mais de 400 nativas.PRESERVAÇÃO"Meu objetivo é que as pessoas conheçam as matas e tentem preservar essas espécies", diz Muniz, que, no Viveiro de Mudas Saputá, produz mudas de 200 espécies frutíferas. Cada muda custa entre R$ 15 e R$ 50 e pode ser enviada para todo o Brasil. Para cada região, porém, dependendo do clima e do solo, determinadas espécies são aconselhadas ou não. Foi isso o que Muniz explicou aos produtores de Guatapará."Ficamos impressionados e a maioria já decidiu que fará uma viagem para conhecer o viveiro de Muniz", informou o gerente-geral Tetsuhiro Hirose, do Instituto de Pesquisas Técnicas e Difusões Agropecuárias (IPTDA), fundada na cidade pela Federação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Colonização (Jatak), órgão do Ministério da Agricultura do governo nipônico."Temos condições de montar áreas para testes dessas espécies nativas e exóticas", avisou Hirose. "Vamos, porém, estudar antes a viabilidade dessas culturas aqui", destacou o agrônomo da Jatak, Francisco Kenyti Hotta. A comunidade nipônica investe em pequenas produções em Guatapará e está buscando novas alternativas de negócio.Segundo Muniz, algumas espécies podem ser bem-sucedidas na região, como o amay, que é pouco conhecido. "O amay é de fácil cultivo, muito adaptável e da família da oliveira, e, embora exista da Amazônia ao Uruguai, até no Nordeste e em solo seco ou brejo, é difícil de encontrar'''', diz Muniz. "Eu achei essa espécie após quatro anos de procura." O amay, esmagado, pode ser transformado em bom azeite, garante ele. A fruta sapota-do-solimões já está sendo comercializada no sul da Bahia e até está em estudo numa universidade da região de Ribeirão Preto. Mas ela demora oito anos para começar a produzir.ESPÉCIES IDEAISO ananás-do-cerrado, ancestral do abacaxi, é viável para produção, assim como o apuruí (marmelo) e o ingá-açu. Segundo Muniz, porém, é preciso escolher as espécies ideais para o solo e o clima de Guatapará. Autodidata, Muniz, de 27 anos, coleciona espécies raras desde os 14. Ele faz expedições pelas matas, estuda todas, cataloga, reproduz em seu viveiro e está finalizando o primeiro volume do livro Colecionando frutas, com cerca de 400 páginas, que abordará 100 espécies (aspectos botânicos, história, detalhes de cultivo e aproveitamento, entre outras informações, sendo 68 nativas e 32 exóticas). O livro deverá ser lançado no segundo semestre deste ano.

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