Situação no Líbano desperta temores de guerra civil

Diferenças entre governistas e xiitas podem colocar em risco unidade do Exército.

Jim Muir, BBC

09 de maio de 2008 | 09h45

Os combates em Beirute começaram minutos depois de o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, aparecer na TV acusando o governo libanês de declarar guerra ao seu movimento - criado para resistir a Israel.Ele disse que enquanto o governo não revogar a decisão, tomada na segunda-feira, de fechar a rede de comunicação do Hezbollah, a crise vai continuar.O governo até agora tem se recusado a voltar atrás, mas o líder sunita Saad Hariri disse que a reação do Hezbollah foi fruto de um "mal-entendido" e ofereceu a realização imediata de negociações para resolver a situação.Ele fez um apelo a Nasrallah, pedindo que ele aceitasse a oferta para "salvar o Líbano do inferno".Mas o canal de TV do Hezbollah disse que a oferta foi rejeitada e que a única solução aceitável seria o recuo do governo.O fato é que, com os combates se espalhando pelas ruas da capital, muito temem estar presenciando o início de uma nova guerra civil no país.O Exército libanês alertou que sua própria unidade poderia estar em risco, caso não haja um entendimento entre as partes envolvidas na crise.Para muitos, a unidade do Exército é a única esperança de manter o país unido.Durante os 15 anos da guerra civil que começou em 1975, o Exército se dividiu entre os lados envolvidos.Essa nova crise culmina uma série de episódios tensos que vinham se escalando nos últimos 18 meses - e que foram contidos graças à cooperação entre a Arábia Saudita e o Irã.Os sauditas são próximos aos sunitas e ao governo em Beirute, e o Irã aos xiitas e ao Hezbollah.Mas as relações entre os dois países parecem estar passando por um momento delicado, e até agora não houve sinais de uma eventual intervenção deles para acalmar a situação no Líbano. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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