Só 10% dos jovens sabem matemática

Relatório da ONG Todos Pela Educação mostra que, na escola pública, apenas 5,2% aprenderam o que deveriam no fim do ensino médio

DAVI LIRA , PAULO SALDAÑA, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h08

O ensino médio, principal desafio educacional do Brasil, tem apenas 10,3% de seus estudantes com aprendizado em matemática adequado à sua série. Além de ser baixo, o dado ainda representa piora: em 2009, o porcentual era de 11%.

Em língua portuguesa, o índice ficou em 29,3% nessa etapa, estável em relação ao levantamento anterior. Os dados fazem parte do relatório De Olho nas Metas, do movimento Todos Pela Educação.

O movimento monitora desde 2008 o cumprimento de cinco metas: o atendimento escolar à população de 4 a 17 anos, a alfabetização na idade correta, o desempenho dos alunos nos ensinos fundamental e médio, a conclusão dos estudos e o financiamento da educação. Neste ano, o desempenho dos estudantes chamou a atenção pelos maus resultados.

Quando se leva em conta apenas os estudantes de escolas públicas brasileiras, apenas 5,2% sabem o que deveriam de matemática no ensino médio - ficando bem longe das metas estipuladas (mais informações nesta página). Em português, foi de 23,3%

O movimento usa como base os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil de 2011. O nível considerado adequado para cada ano foi definido de acordo com a escala de proficiências do Saeb, que tem uma escala única para cada disciplina. A disciplina de matemática é considerada referencial, por ser um conhecimento basicamente escolar.

Ensino fundamental. No 9.º ano, somente 12% dos estudantes de escolas públicas tiveram desempenho desejável na disciplina. Mas enquanto a maioria dos alunos tem dificuldades, Cocal dos Alves - um município pobre localizado no interior do Piauí - consegue fazer com que quase 90% dos alunos do 9.º ano tenham rendimento adequado em matemática. É o maior índice do Brasil.

"Com grupos de estudos e acompanhamento das dúvidas, hoje eles acham a Prova Brasil bobinha, sem grandes dificuldades", diz Antonio Cardoso do Amaral, professor de matemática da escola Teotônio Ferreira Brandão, única a oferecer o 9.º ano para os 420 alunos. O município teve o melhor desempenho no Enem, como mostrou em dezembro reportagem do Estado.

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Na média estadual, Minas Gerais conseguiu um feito: tem a melhor adequação de aprendizado de matemática no ensino fundamental e médio. Santa Catarina se destacou no cumprimento das metas. "Trabalhamos com toda a rede e estipulamos metas de desenvolvimento ao final de cada série", diz o secretário de Educação, Eduardo Deschamps.

Segundo a diretoria executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, o País precisa começar a olhar exemplos de sucesso, superar diferenças regionais e transpor "travas" que impedem melhorias. "A falta de um currículo nacional é um tremendo impeditivo. É difícil avançar se a gente não disser o que os alunos devem aprender", diz ela.

No Ministério da Educação (MEC), a avaliação é de que o ensino médio deve ser prioridade. "Precisamos avançar. Por isso estamos dialogando com os secretários estaduais uma proposta para essa fase", disse Luiz Cláudio Costa, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do MEC. Costa discordou, no entanto, do diagnóstico de piora dessa fase, mostrada pelo relatório. "É bom a sociedade civil debater educação, mas atingimos as metas do Ideb."

Os primeiros anos do ensino fundamental têm os melhores resultados. Em matemática, 36% dos estudantes apresentaram desempenho adequado. Em língua portuguesa, esse porcentual ficou em 40%.

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