Só 15% das crianças infectadas pelo HIV recebem tratamento

Pesquisadores afirmam que é preciso criar tratamentos específicos, ao invés de adaptar o dos adultos

Efe,

25 Julho 2007 | 01h59

Só 15% das crianças de todo o mundo infectadas pelo vírus da aids recebem o tratamento necessário. A denúncia foi feita na Conferência sobre Patogenia e Tratamento do HIV, que termina nesta quarta-feira, 25, em Sydney.   Annettee Sohn, professora de doenças pediátricas infecciosas da Universidade da Califórnia, afirmou que as companhias farmacêuticas e os laboratórios que produzem remédios genéricos deveriam criar tratamentos específicos para crianças.   Ela pediu também mais pesquisas pediátricas sobre o HIV, já que muitas vezes os casos infantis são detectados tarde demais. Além disso, não há remédios específicos para as crianças.   "Ainda estamos simplesmente reduzindo as doses de adulto para as crianças. Mas alguns remédios vêm em pílulas, e não é possível diminuir a dose para bebês", disse a especialista.   Anthony Fauci, diretor do instituto Nacional de Doenças Infecciosas e Alergias dos Estados Unidos, explicou que a cada ano nascem cerca de 500 mil crianças no mundo com a infecção.   O cientista acrescentou que como as crianças não desenvolvem seu sistema imunológico no seu primeiro ano de vida, elas são mais sensíveis a infecções graves e à aids.   Estudo   Uma pesquisa apresentada na Conferência mostrou que uma rápida identificação da infecção e o início do tratamento com anti-retrovirais levam a uma redução de 75% da mortalidade entre os bebês.   O estudo de especialistas sul-africanos recomenda a administração de anti-retrovirais aos bebês infectados pelo HIV, mesmo antes que comecem a desenvolver a doença.   Os cientistas sul-africanos apresentaram seus resultados em junho a um comitê independente formado por especialistas clínicos, estatísticos, éticos e representantes de comunidades da África, Europa e Estados Unidos.   Circuncisão   Na terça-feira, o professor de Epidemiologia da Universidade de Illinois (Chicago, Estados Unidos) Robert Bailey assegurou que a circuncisão reduz a transmissão do HIV em 60%.   Bailey, que realizou trabalhos sobre circuncisão em Uganda, Quênia, Malawi, Zâmbia e Estados Unidos, apresentou os resultados de sua pesquisa na Conferência. Ele explicou que suas conclusões se baseiam em 45 estudos com testes clínicos e várias pesquisas biológicas.   O especialista americano disse que a circuncisão foi considerada pela primeira vez no âmbito científico como uma técnica preventiva para a aids 24 anos atrás e que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a medida em março.   Apesar de se tratar de uma prática originária do Egito, que data do ano 2.300 a.C., e praticada em 67% dos homens na África, em muitos países do continente, com a maior incidência da aids, há uma forte oposição por motivos culturais e religiosos.   "É preciso passar da pesquisa às políticas, é necessário que a circuncisão possa ser praticada de forma segura, higiênica e que eticamente não seja discriminatória", ressaltou Bailey.

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