Só 2,1% participam de programa de inclusão digital

Estudo mostra que pontos de acesso gratuito à internet não "pegaram" nas comunidades mais pobres

Agência Brasil

13 Agosto 2007 | 10h21

O desempregado Sérgio Oliveira, de 45 anos, começou a descobrir o mundo da informática na cidade de Ceilândia, a 30 quilômetros de Brasília, por meio de um projeto de inclusão digital e de acesso a tecnologias da informação chamado Casa Brasil.   Veja também:  Estudo indica que programa de inclusão digital é 'insuficiente'   Há três semanas freqüentando aulas de informática, ele conta que ainda não conseguiu assimilar o conteúdo, pois considera o curso superficial.   "Para quem não tem acesso é muito válido, porque as pessoas mais carentes têm a possibilidade acesso À internet. Estou tentando adquirir mais conhecimentos. É muito cheio de siglas e superficial. Se fosse mais popular, a gente pegaria melhor o conteúdo. Falta material pra a gente acompanhar melhor o que o professor está falando na aula."   Embora tenha dificuldades em lidar com a tecnologia, Oliveira é um dos poucos a terem acesso gratuito à internet no Brasil. Segundo uma pesquisa da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), as iniciativas de democratização do acesso à rede mundial de computadores atingem uma pequena parcela da população.   O estudo foi feito em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Sangari, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2005.   De acordo com o levantamento, somente 2,1% das pessoas com idade a partir de 10 anos disseram ter freqüentado um centro gratuito; 10,5% usaram a rede em domicílio; e 4,6% em centros pagos. Dentre o grupo menor renda, apenas 0,9% utilizou centros gratuitos frente aos 4,5% da população mais rica.   Na escola, o uso da internet também é baixo. Segundo a pesquisa, apenas 5,4% da população com 10 anos de idade ou mais declararou usar a internet na escola.   Apesar do baixo índice, o secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowski, está otimista com a possibilidade de instalação de laboratórios de informática em todas as 142 mil as escolas públicas do país até 2010. A meta está no Plano Nacional de Educação.   De acordo com ele, atualmente todas as escolas do ensino médio do Brasil têm acesso a laboratórios de informática. "Vamos atualizar esses laboratórios. Junto com os estados, vamos oferecer mais capacitação e mais conteúdo."   No caso das escolas do ensino fundamental, em 2008 deverão ser entregues 13,5 mil laboratórios de informática. "Existe uma mudança na estratégia. Estamos privilegiando os municípios mais carentes do ponto de vista educacional."   Segundo ele, a exclusão digital é "gravíssima", mas o primeiro passo é promover a "alfabetização digital" nas escolas.   O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da Ritla, avalia que a proposta do Plano Nacional de Educação pode ajudar, mas não resolve totalmente a o problema da exclusão digital.   "Tem muita gente que não vai à escola e precisa da internet. Precisa das duas políticas, na escola e social, com centros de inclusão digital como existem no Peru e na Argentina, que são subsidiados pelo governo em vários locais públicos e por preços muito baixos."   Na opinião dele, falta uma política nacional de inclusão digital. "Temos alguns programas, públicos e privados, mas são poucos e insuficientes."

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