Só 41% dos formandos de cursos de saúde da Unip fazem prova obrigatória

Pelo menos 500 alunos da Universidade Paulista (Unip) que se formaram em 2010 em cursos da saúde deixaram de prestar o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), prova obrigatória que compõe o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes).

Carlos Lordelo, do Estadão.edu, O Estado de S. Paulo

04 Março 2012 | 03h05

Conforme o Estadão.edu mostrou ontem, a universidade é acusada de selecionar só os melhores alunos para fazer o exame, e usa os bons resultados em agressiva campanha de marketing.

Levantamento com base em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) aponta que só 353 dos 855 formandos de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição e Odontologia de unidades da Unip no Estado de São Paulo participaram do Enade em 2010. O grupo estudou em câmpus da capital e de Assis, Bauru, Campinas, Ribeirão Preto, Santos e Sorocaba.

Pela lei do Sinaes, universidades que não inscrevem alunos habilitados ao Enade podem ser proibidas temporariamente de abrir processos seletivos para os cursos avaliados em cada edição da prova.

Segundo denúncia enviada ao Ministério da Educação na quinta-feira, a Unip "esconde" alunos com notas mais baixas, para que não façam o exame. Estudantes de desempenho abaixo da média ficariam com notas em aberto na época da inscrição para o Enade. Desse modo, não completam 80% da carga horária e só os melhores da classe ficam aptos a prestar a avaliação. O relatório fez o MEC enviar ofício à Unip cobrando explicações.

Após o fim do período de inscrição para o Enade, os alunos de médio ou baixo desempenho recebem as notas que faltavam, diz a denúncia. No final, quem não prestou o exame (a maioria da turma) se forma com os colegas que participaram da prova. Três professores e um ex-funcionário da Unip ouvidos pelo Estadão.edu confirmaram a prática.

Enquanto as notas da Unip no Enade tiveram melhora exponencial no ciclo 2007-2010, a taxa de participação de seus alunos na avaliação caiu, contrariando uma tendência nacional. No curso de Farmácia em Bauru, por exemplo, só 9 dos 44 formandos fizeram o exame em 2010. A nota deles foi 4 (boa), e a dos 18 concluintes em 2007 havia sido 2 (ruim).

A participação também foi baixa em Sorocaba, onde apenas 15 dos 58 concluintes da faculdade de Enfermagem prestaram o Enade no ano retrasado. Eles garantiram a pontuação máxima para a Unip, 5. Antes, era 3 (satisfatória). Em 2007, 53 formandos fizeram a prova.

Proporcionalmente, mais alunos de Enfermagem em Santos resolveram o exame em 2010 do que em Sorocaba (6 dos 15 formandos), e tiveram o mesmo salto na pontuação. Como nos outros casos, o número de santistas no Enade havia sido maior há cinco anos.

Na capital, é possível comparar o desempenho dos alunos de Odontologia. Dos 40 formandos em 2010, 14 passaram pela avaliação e tiraram nota 5. Em 2007, os 23 concluintes tiraram 4.

Nas outras cidades pesquisadas pela reportagem, o curso de Farmácia da Unip havia tido nota 2 há cinco anos. Em 2010, os alunos de Assis e Campinas receberam pontuação 5, e os de Bauru, Ribeirão Preto e Sorocaba, nota 4. Somando o número de concluintes, porém, a participação caiu de 124 para 63 estudantes.

Situação semelhante ocorreu em Nutrição. A quantidade de formandos que prestou o Enade passou de 104 (em 2007) para 58 (em 2010), e as notas subiram de 2 para 4 (em Campinas e Sorocaba) ou para 5 (em Assis e Ribeirão Preto).

A melhora das notas foi menor no caso de Fisioterapia. Antes o curso tinha pontuações entre 2 e 3 e, agora, de 3 a 4. Curiosamente, o número de formandos que fez o exame aumentou de 101 para 119 no ciclo 2007-2010. Mas, em Assis, a situação no curso de Enfermagem foi diferente: poucos formandos fizeram a última prova (6 dos 15), e eles tiraram a mesma nota 3 que seus 31 colegas concluintes de 2007. / COLABORARAM ALEXANDRE GONÇALVES, CEDÊ SILVA e SERGIO POMPEU

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