Só ajustes em papéis vão consumir mais um ano

A confirmação da contratação de 3 mil blindados, a serem desenvolvidos e construídos ao longo de 20 anos no País, fecha o primeiro ciclo do programa de modernização das Forças Armadas. O processo faz do Brasil o operador de um dos maiores orçamentos de longo prazo no setor da Defesa entre as nações emergentes. A soma dos investimentos nos submarinos da Marinha, um dos quais nuclear, novos caças da Força Aérea, nos veículos do Exército e nas encomendas paralelas é estimada em patamares acima de US$ 40 bilhões, com financiamento em até 20 anos. Ou mais que isso: o plano do Comando da Aeronáutica para os aviões de combate não se limita às 36 unidades de que trata a escolha F-X2, um negócio de US$ 7,7 bilhões. A intenção é que a compra se estenda por outros lotes, totalizando uma frota de 120 aeronaves - uma suplementação de 84 unidades ainda longe de chegar à mesa de negociações. Não haverá nenhum grande desembolso a curto prazo. Dois consórcios bancários europeus, um deles liderado pelo grupo Paribas, cuidam da operação financeira. Em todas as encomendas há exigência de transferência de tecnologia e cláusulas de compensação comercial. Há vários problemas a serem resolvidos. O adiamento para 2010 da escolha do supersônico que deve servir de padrão à aviação de combate pelos próximos 40 anos é prejudicial ao processo. Após a decisão será necessário gastar um ano nos ajustes da documentação até o momento das assinaturas entre empresas e governo. A expectativa é de que o primeiro grupo de quatro aviões seja recebido no 1º Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis, no Estado de Goiás, a partir do último trimestre de 2012, avançando por 2013. Esse prazo está sob risco. Qualquer dos três concorrentes finais - o Rafale, da francesa Dassault, o Gripen NG, da sueca Saab, e o F-18 Super Hornet, da americana Boeing - terá dificuldade em cumprir um calendário tão apertado. O universo do reequipamento das Forças é muito amplo. Os blindados de 18 toneladas servirão de plataforma a variações. A maioria é destinada ao transporte de tropas, condição básica a um Exército moderno, definido na nova Estratégia Nacional de Defesa como móvel e de reação rápida. Mas haverá esquadrões armados com morteiros pesados, lançadores de mísseis e centros de comando em batalha. O Exército está comprando, com muito atraso, radares terrestres e vai criar sua própria rede de vigilância eletrônica. Marinha e FAB têm projetos equivalentes. Resta fazer a conciliação entre a pretensão e o dinheiro disponível.

Roberto Godoy, Jornalista, O Estadao de S.Paulo

15 Dezembro 2009 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.