Só governo compra trigo nacional

Por causa do crédito restrito, moinhos estão temporariamente fora do mercado e evitam fazer estoques do cereal

Jane Miklasevicius, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2008 | 04h19

A safra nacional de trigo está sendo vendida pelo preço mínimo e para um único comprador: o governo. Com os moinhos fora do mercado, produtores e cooperativas têm recorrido ao Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e aos contratos de opção futura de venda. "Nos leilões do governo, o produtor consegue o preço mínimo, no limite do custo de produção", diz o produtor e corretor gaúcho Jairo Faccio. No Rio Grande do Sul, trigo de boa qualidade está cotado em R$ 400 a tonelada e, no Paraná, entre R$ 450 e 460/tonelada. Nos leilões do governo, o preço recebido é de, no mínimo, R$ 480 a tonelada. No caso dos leilões de opção de venda futura, o preço sinalizado para a data de exercício (31 de março de 2009) é de R$ 530 a tonelada. No último leilão, gaúchos e paranaenses, que produzem 90% do trigo nacional, arremataram todos os contratos. Por causa da restrição de crédito e da queda dos preços, os moinhos brasileiros retardam a recomposição dos estoques. Na Argentina, que anunciou disponibilidade de oferta de 1,7 milhão de toneladas, os preços do trigo caíram abaixo de US$ 170/tonelada e se equiparam aos do mercado europeu - na França, a cotação é de US$ 170/tonelada e, no Reino Unido, de US$ 175/tonelada. Com o frete em queda, o trigo argentino chega ao Brasil a um preço inferior ao nacional, por R$ 470/tonelada (desembarcado no Porto de Santos). "Para levar trigo gaúcho de caminhão para São Paulo, o frete é de R$ 100/tonelada e, para o Rio, Espírito Santo ou Minas, de R$ 140/tonelada. Por isso que não tem comprador para o trigo nacional", diz Faccio.

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