Só mais uma coisa Pamonha Ricardo é turista profissional. Blog: viajenaviagem.com Twitter: @riqfreire Só mais uma coisa RICARDO FREIRE

Desembarquei no aeroporto de Goiânia tendo pela frente um longo (e calculado) intervalo até a hora de saída do ônibus. (Naquele dia não havia voos diretos ao meu destino, Caldas Novas.)

O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h09

Planejei passar esse tempo trabalhando no conforto do aeroporto - e não na balbúrdia da rodoviária. O aeroporto se revelou bem mais acanhado do que eu esperava, mas estava sossegado, e era o que importava.

Com o escritório instalado na praça de alimentação, resolvi dar um toque exótico ao momento: pedi uma pamonha. A primeira pamonha salgada (ou 'de sal', como preferem os goianos) da minha vida.

Quando a dita chegou à mesa, no prato, enclausurada praticamente à vácuo na sua palha e acompanhada de garfo e faca, fiquei sem ação. Como se abre uma pamonha no prato usando garfo e faca?

Acredito que seja uma questão de estirpe - uma habilidade que vem de berço, como destrinchar lagosta. Felizmente estava todo mundo vendo o Globo Esporte e não passei tanta vergonha assim. Veredicto: vale o esforço; e não importa o gosto que uma pamonha doce possa ter, a salgada é melhor.

Faltando uma hora e meia para o ônibus sair, fui para o ponto de táxi. Entrei, disse para onde ia, e só relaxei quando o motorista ligou o taxímetro.

Dezessete reais e cinquenta centavos mais tarde, o táxi passava pela guarita do Shopping Anhanguera. "Moço, eu queria ir pra rodoviária, não era pro shopping não!" Mas o taxista não estava me engambelando. A rodoviária de Goiânia fica, sim, num shopping. E é muitíssimo mais civilizada do que o aeroporto. Eu poderia tranquilamente ter ido direto para lá trabalhar e comer todas as pamonhas salgadas que quisesse.

Fui ao guichê retirar as passagens para Caldas Novas que tinha comprado pela internet - e ainda usei o tempinho que restava para já comprar os bilhetes para as próximas paradas, na cidade de Goiás, e em Pirenópolis.

Só quando estava dentro do ônibus é que fiquei sabendo a burrada que tinha feito: deveria ter comprado passagem no ônibus direto ao Rio Quente, que saiu meia hora antes. Um erro que acabaria me custando 80 reais de táxi. Não é o que dizem? Você é o que você come.

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