Sob ataque de Berlusconi, Monti alerta contra populismo na Itália

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, alertou nesta terça-feira contra um avanço do populismo num momento em que o ex-premiê Silvio Berlusconi o acusa de adotar políticas "germanocêntricas" responsáveis por levar a Itália para a recessão.

JAMES MACKENZIE, Reuters

11 Dezembro 2012 | 18h26

Berlusconi anunciou dias atrás que deverá tentar se tornar primeiro-ministro pela quinta vez nas eleições previstas para fevereiro. Essa possibilidade, pouco mais de um ano depois de ele ser forçado a deixar o poder no auge de uma crise das contas públicas, gera nervosismo nos mercados financeiros.

Numa possível amostra de como será a campanha, o bilionário Berlusconi, de 76 anos, partiu para a ofensiva contra o governo tecnocrata que o sucedeu, dizendo que Monti aceitou políticas fracassadas ditadas por Berlim.

"O governo de Monti seguiu políticas germanocêntricas que a Europa tenta impor a outros Estados e que criam uma situação de crise muito pior do que onde estávamos quando estávamos no governo", disse Berlusconi em entrevista a uma emissora de TV de sua propriedade, o Canale 5.

Ele minimizou a forte retração dos mercados financeiros depois do anúncio da sua volta à política, chamando de "tramoia" o principal termômetro da confiança dos investidores, que é a diferença entre os juros pagos nos títulos públicos italianos e o valor dos papéis alemães que balizam o mercado.

Berlusconi também acusou a Alemanha de deliberadamente especular com a crise da dívida na zona do euro a fim de favorecer seus bancos e reduzir os custos do seu próprio crédito.

As declarações de Berlusconi motivaram uma resposta incisiva da Alemanha. O ministro de Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, disse ser inaceitável que seu país se torne "o alvo de uma campanha eleitoral populista".

Falando nesta terça-feira pela TV estatal, Monti deixou seu próprio futuro político em aberto, mas defendeu a atuação do seu governo na economia e alertou contra promessas eleitorais "excessivamente simplificadas", que escondam os verdadeiros problemas do país.

"É importante que haja autodisciplinas da parte de todos, para não criar rupturas com a Europa e acima de tudo para não tratar as pessoas como idiotas, mas como cidadãos maduros", declarou.

Os mercados financeiros já estavam mais calmos nesta terça-feira, e o ágio entre os títulos da Itália e da Alemanha com vencimento em dez anos caiu para 340 pontos-base, depois de chegar a mais de 360 pontos-base na segunda-feira, ainda bem abaixo do auge de 550 quando Berlusconi se demitiu.

(Reportagem adicional de Stephen Brown, Gareth Jones e Hans-Edzard Busemann, em Berlim)

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