Sob Putin, Rússia reduziu liberdade de expressão, diz Anistia

Relatório divulgado às vésperas de eleição presidencial de domingo diz que restrições foram 'alarmantes'

Da BBC Brasil, BBC

26 Fevereiro 2008 | 11h15

Um relatório da Anistia Internacional divulgado nesta terça-feira, 26, afirmou que a liberdade de expressão na Rússia foi reduzida de forma "alarmante" sob o governo do presidente Vladimir Putin. O relatório diz que várias organizaçõeS independentes de mídia foram fechadas, que assassinatos de jornalistas não são elucidados e que a polícia tem atacado manifestantes de oposição. Divulgado às vésperas das eleições gerais russas, que acontecem no domingo, o relatório diz ainda que leis "arbitrárias" estava cerceando o direito de livre opinião e silenciando ONGs tidas como ameaças pelas autoridades. "Estamos publicando este relatório pouco antes das eleições para destacar a incrível queda nas possibilidades de liberdade de expressão nos últimos anos. (...) Nos próximos meses vamos planejar atividades para a restauração da liberdade de expressão, com o apoio de nossos membros em vários países", disse Friedereke Behr, pesquisador da Anistia Internacional. Dmitry Medvedev, atual vice-primeiro-ministro e presidente da petroleira Gazprom, é o candidato do presidente Vladimir Putin e deve ser eleito na votação de domingo. Rádio "Os direitos à liberdade de expressão, reunião e associação são marcos do funcionamento de uma sociedade civil. As autoridades russas estão reprimindo estes direitos como parte de uma estratégia para combater a chamada influência ocidental", afirmou Nicola Duckworth, diretora de programa para a Europa e Ásia Central da Anistia Internacional. A Anistia cita como um dos exemplos a lei criada em 2006 que regulamenta as atividades de ONGs, exigindo relatórios sobre suas atividades. Para a Anistia esta lei seria um dos instrumentos legais usados para atingir organizações vistas como uma ameaça à autoridade do governo. A ONG Golos (Voz, em tradução livre), que trabalha para promover eleições justas e dá treinamento para observadores eleitorais, está envolvida em uma batalha para evitar o fechamento de seu escritório na cidade de Samara. Outro exemplo citado é a ONG Rainbow House, de defesa de gays, lésbicas, bissexuais e ativistas, que teve seu registro negado. "Sem o direito de liberdade de expressão, outros direitos humanos básicos poderão ser violados mais facilmente. O silêncio é o terreno fértil para a impunidade, uma ferramenta poderosa para prejudicar a lei", acrescentou Nicola Duckworth.   Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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