Sobe para 4 total de mortos em operação da PM no Rio

De acordo com parentes de um dos mortos, ele teria sido espancado até a morte por policiais, em casa

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2008 | 14h40

Mais dois corpos, de dois homens, foram levados nesta quarta-feira, 21, à emergência do Hospital Getúlio Vargas, elevando para 4 o número de vítimas fatais da operação da Polícia Militar no complexo de favelas Vila Cruzeiro, na Penha, na zona norte do Rio. Duas pessoas também foram baleadas, entre elas um menor, mas não correm risco de morte. O comando do 16.º Batalhão informou que irá se pronunciar apenas após o fim da operação. Os últimos corpos foram levados pelo veículo blindado da PM.  Na porta do Hospital Getúlio Vargas, a mãe de Sandro Luiz Roque, de 31 anos, acusou a polícia pelo espancamento e morte do filho. Segundo ela, Roque foi flagrado desarmado por policiais na laje do barraco onde mora, retirado e espancado até a morte. A Secretaria Estadual de Saúde confirmou que Roque faleceu em decorrência de espancamento e queimaduras.  O comandante do 16º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel José Vieira de Carvalho Júnior, negou a versão e acusou os traficantes pelo espancamento. "Não aceito isso. Seria uma estupidez e somos profissionais. Nenhum dos meus policiais espancou ninguém. Querem colocar na conta da polícia, mas ocorre é que algumas pessoas estão nos ajudando, porque não agüentam mais esta corja e pagam desta forma", acusou o comandante. De acordo com o comandante do 16º BPM, a operação era uma ação rotineira em busca de armas e drogas na favela. "Vamos aguardar a posição das autoridades. Infelizmente, não é algo novo para uma comunidade que está há três meses em colapso com esgoto transbordando, sem serviço de Correios, sem luz e telefone", disse o presidente da Associação dos Moradores do Complexo da Penha, Luís Claudio dos Santos, na porta do Hospital Getúlio Vargas, para onde foram levados os corpos e os feridos. Vários parentes e familiares estavam no local em busca de notícias sobre as vítimas. Os confrontos mais intensos ontem ocorreram na localidade conhecida como 29, nas proximidades do Posto de Policiamento Comunitário da Vila Cruzeiro. Os policiais entraram na comunidade em três carros blindados. Ainda pela manhã, Alexandre Correia, de 26 anos, foi atingido naquela região por um tiro no pescoço e morreu na hora. Em desespero, parentes disseram que ele não tinha ligação com o tráfico de drogas. Eles chegaram a levar o cadáver do rapaz para o hospital em busca de socorro. A operação se estendeu pela tarde e para as favelas vizinhas. Às 13h55, o carro blindado da Polícia Militar, conhecido como Caveirão, chegou na porta da emergência do Hospital Getúlio Vargas com dois corpos de homens pardos, que aparentavam ter entre 25 e 29 anos. Ambos não foram identificados até esta noite e morreram em confronto com a polícia, segundo os PMs. Moradores disseram que o socorro das vítimas foi dificultado pelos dois ônibus que os traficantes atravessaram na Rua A, principal via de acesso ao posto policial da favela. "Meu primo estava carregando areia para a obra e foi atingido. A PM atira sem critérios", reclamou a prima de R. S. G., de 17 anos, baleado no tórax. O último baleado, o mecânico Nílton Nery dos Santos, de 47 anos, levou um tiro de raspão na perna direita. Socorrido por um mototaxista, ele não quis dar declarações. Ambos não correm risco de morrer. Após o final da operação, a PM informou que apreendeu um fuzil calibre 762, duas pistolas 380 e um revólver 38 e uma pequena quantidade de drogas. Texto atualizado às 19h55.

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