Sobe para nove total de presos em ação da PF em SP

Os agentes da PF cumpririam 11 mandados de prisão temporária e 18 ordens de busca e apreensão

Solange Spigliatti, estadao.com.br

24 de abril de 2008 | 12h26

Pelo menos nove pessoas foram presas durante a Operação Santa Teresa, deflagrada nesta quinta-feira, 24, pela Polícia Federal na capital e no interior de São Paulo, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa que, além de praticar crimes de tráfico local e internacional de mulheres e explorar atividade de prostituição, participava de fraudes na concessão de empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os agentes cumpririam 11 mandados de prisão temporária e 18 ordens de busca e apreensão com o intuito de permitir a coleta de provas.  Entre os detidos está o advogado Ricardo Tosto de Oliveira Carvalho, membro do Conselho de Administração do BNDES. A assessoria de imprensa do advogado confirmou que Tosto, sócio-fundador do escritório de advocacia Lopes, Tosto e Barros, foi detido pela PF, mas disse ainda não saber os motivos e garantiu que irá se pronunciar assim que receber mais informações sobre o caso. O advogado é conhecido por ter como cliente o deputado federal Paulo Maluf (PP).  Segundo a PF, as investigações tiveram início em dezembro de 2007 para apurar denúncias sobre a prática dos crimes de tráfico interno e internacional de mulheres e de exploração de prostituição. Após investigações, foi confirmado que alguns dos investigados mantêm uma casa de prostituição localizada em São Paulo, praticando tráfico interno e internacional de mulheres. O funcionamento do prostíbulo, de acordo com a PF, somente se mantém porque seus proprietários oferecem, de forma contínua, vantagens ilícitas a autoridades e servidores públicos responsáveis pela fiscalização.Foi constatada também a existência de um esquema de desvio de verbas de financiamentos do BNDES, conforme a PF. Uma quadrilha formada por empresários, empreiteiros, advogados e servidores públicos atua de forma a obter empréstimos do referido banco e a desviar parte dos valores em benefício próprio. A PF não soube informar qual a ligação entre as duas investigações.Pelo menos dois financiamentos concedidos pelo BNDES neste ano, segundo a PF, são objeto de fraude. Um deles, de R$ 130 milhões, foi concedido a uma prefeitura do Estado de São Paulo e outro, de cerca de R$ 220 milhões, a uma grande empresa do ramo varejista. A quadrilha desviava 4% dos valores de cada financiamento. As investigações indicam também evidências de práticas de licitações fraudulentas em pelo menos duas prefeituras paulistas, versando sobre a distribuição de obras por estas municipalidades.

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