Soberania britânica assombra UE

O ano de 2010 marcará - além da posse do belga Herman Van Rompuy como presidente da União Europeia (UE) - a chegada de David Cameron à casa número 10 da Downing Street, a sede do poder na Grã-Bretanha. E os dois terão debates inevitáveis sobre pelo menos um tema: a soberania britânica.

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2009 | 00h00

Pronto para derrotar o atual premiê trabalhista, Gordon Brown, Cameron anunciou há 15 dias suas diretrizes políticas para as relações com a UE. E elas não são amigáveis. Sob sua gestão, a Grã-Bretanha, reino que já não adota o euro nem integra o espaço de livre circulação de pessoas do bloco, tentará retomar poderes delegados à UE nos últimos 17 anos. O conservador defende, por exemplo, a saída do país da Carta de Direitos Fundamentais, que define parâmetros de direito penal para todos os 27 países.

Cameron também quer modificar a legislação de seu país para que toda "transferência de poder" de Londres para Bruxelas só aconteça depois de um referendo - uma forma de bloquear juridicamente a adoção da moeda única. "Meu objetivo não é sabotar o funcionamento da UE, mas evitar uma briga pelo poder europeu", justificou.

A alegação foi recebida com uma rajada de críticas até de tradicionais aliados de Londres, como a Holanda e a Bélgica. O ministro francês de Relações Europeias, Pierre Lelouche, contou com o aval do presidente francês, Nicolas Sarkozy, para torpedear Cameron, classificando o projeto como "patético'' e "bizarramente autista". Ele também sugeriu que os britânicos deixem a UE, se não se sentem confortáveis.

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