Socialista Hollande derrota Sarkozy e é o novo presidente da França

O socialista François Hollande venceu a eleição presidencial da França neste domingo, numa virada para a esquerda no coração da Europa que poderá começar a reagir contra a austeridade que caracteriza o governo da Alemanha.

LIONEL LAURENT E CATHERINE BREMER, REUTERS

06 Maio 2012 | 17h17

De acordo com pesquisas de opinião, Hollande venceu o conservador Nicolas Sarkozy com uma margem decisiva de 51,9 a 48,1 por cento, trazendo de volta ao poder a centro-esquerda depois de anos de oposição.

Sarkozy admitiu a derrota 20 minutos depois do encerramento das últimas urnas, às 15h (horário de Brasília), dizendo aos seus partidários que havia telefonado para Hollande, para lhe desejar boa sorte.

"Assumo total responsabilidade por essa derrota," ele disse.

Sarkozy, punido por sua incapacidade em conter a taxa de desemprego recorde de 10 por cento no país e por seu estilo pessoal ousado, é o 11º líder da zona do euro que foi tirado do poder desde que a crise monetária dos países da União Europeia começou em 2009.

Os esquerdistas comemoraram do lado de fora da sede do Partido Socialista e na Praça da Bastilha, onde partidários festejaram em 1981, quando François Mitterrand se tornou o único outro presidente socialista da França.

Mas as comemorações podem ser ofuscadas por uma bomba política na Grécia, onde os partidos tradicionais foram massacrados numa eleição parlamentar, que as pesquisas sugerem pode deixar os partidários do resgate do Fundo Monetário Internacional (FMI) para Atenas, sem uma maioria, levantando dúvidas sobre o seu futuro na zona do euro.

A vitória clara de Hollande deveria dar ao autodenominado "Sr. Normal" a autoridade de pressionar a chanceler alemã Angela Merkel a aceitar uma mudança política para estimular o crescimento na Europa para equilibrar a austeridade que tem alimentado o descontentamento em todo sul da Europa.

Sua margem também coloca os socialistas numa posição que permitirá uma grande vitória da maioria de esquerda, nas eleições legislativas do mês que vem, um resultado vital para seus planos de implementar uma imediata reforma tributária.

Se vencer a eleição em dois turnos em 10 e 17 de junho, o Partido Socialista terá mais controle sobre o poder do que nos seus 43 anos de história, com a presidência, as duas casas do Parlamento, quase todas as regiões e dois terços das cidades francesas em suas mãos.

Antes mesmo da declaração dos resultados, multidões se reuniram na sede do Partido Socialista para aclamar a primeira vitória presidencial do partido desde a reeleição de Mitterrand, em 1988. Muitos levavam bandeiras vermelhas e algumas pessoas levavam rosas, o símbolo do partido.

Na Praça da Bastilha, ponto crítico da Revolução Francesa de 1789 e tradicional ponto de manifestações e comemorações da esquerda, os ativistas começaram a comemorar duas horas antes do fechamento das urnas.

Hollande, um político de carreira, estava liderando as pesquisas há semanas depois de apresentar um programa de governo abrangente em janeiro, baseado no aumento de impostos, especialmente para as pessoas com rendimentos mais altos, para financiar os gastos e conter o déficit público.

Além de se beneficiar pelo seu programa de governo, ele também se beneficiou de um clima anti-Sarkozy devido ao estilo pessoal áspero do atual presidente e ao descontentamento em relação à mesma economia sombria que derrubou os líderes de Dublin, Lisboa e Atenas.

"Se Hollande for eleito, teremos eliminado, por motivos pessoais, alguém extremamente competente, não só para a França, mas também para a Europa," disse Christian Fabry, de 72 anos, que estava entre os partidários de Sarkozy que esperavam desanimados, pelo resultado, em um salão de Paris.

Sarkozy começou sua campanha tarde e se desviou para a direita, numa tentativa de recuperar o eleitor de baixa renda que as pesquisas mostraram que o haviam abandonado pela extrema direita ou extrema esquerda.

Seus comícios agressivos e promessas de conter a imigração, reprimir a evasão fiscal e fazer com que os desempregados se preparassem para novos empregos, como uma condição para que recebessem seus benefícios, não reduziram a liderança de Hollande. Sarkozy surpreendeu muitos partidários ao não conseguir nenhuma vantagem durante os debates televisionados.

Embora Sarkozy tenha tirado alguns pontos da liderança de Hollande nos últimos dias de campanha frenética, seus assessores confessaram que um milagre seria necessário para levar a reeleição.

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