Soja não transgênica: começa o plantio

Associação reúne produtores de grãos não geneticamente modificados com vistas ao valioso mercado externo

Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2008 | 04h13

Estimulados pelo aumento da demanda mundial, sobretudo da União Européia, produtores investem, já a partir deste mês, no plantio de soja não transgênica. Cada saca produzida recebe um prêmio que varia entre R$ 1 e R$ 2 sobre a cotação normal da soja. Ainda é um prêmio pequeno, dizem os produtores. Mas, como o mercado é recente, a tendência é a de que o bônus aumente com a expansão das exportações. Veja também: Prêmio é um estímulo ao produtorTodo o cuidado para evitar misturaHá cerca de um mês, o Grupo André Maggi, a Brejeiro, a Caramuru Alimentos, a Imcopa e a Vanguarda, cinco dos maiores produtores e fornecedores de soja não transgênica do País, anunciaram, em São Paulo (SP), a criação da Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não-Geneticamente Modificados (Abrange), com o objetivo de fomentar o desenvolvimento da produção brasileira deste tipo de grão, explica o secretário-executivo da Abrange, Ricardo Tatesuzi de Sousa. "É um mercado de enorme potencial", diz. "A Polônia, por exemplo, acabou de anunciar que só importará soja não transgênica, com demanda inicial de 2 milhões de toneladas." Além da Europa, Coréia do Sul e Japão também são potenciais compradores.Confiança"Há mercados interessados e o Brasil, como fornecedor, precisa inspirar confiança e segurança", diz o presidente da Vanguarda, Otaviano Pivetta. "A associação oficializa o pool de produtores com capacidade de abastecer esse mercado." Segundo Pivetta, o prêmio pago pela saca pode chegar a 5%. Por enquanto, a Vanguarda exporta soja em grão. Em 2009, começará a processar os grãos.A Vanguarda possui, na Bahia e em Mato Grosso, 12 unidades de produção e cultiva 150 mil hectares com soja não transgênica. A produção é de 500 mil toneladas, sendo 70% exportados, sobretudo para a Europa.Conforme o secretário-executivo da Abrange, a entidade estimulará tanto o consumo quanto o aumento de qualidade dos produtos não transgênicos. "Estamos organizando um banco de dados para atender às demandas de clientes internos e externos, e buscando maneiras de investir na certificação da cadeia produtiva como um todo", diz Sousa, destacando que o apelo deste mercado baseia-se, sobretudo, na segurança alimentar. ExportaçõesA produção de soja não transgênica dos associados da Abrange soma mais de 6 milhões de toneladas, ou 10% da safra brasileira - segundo a Conab, o País produziu 60 milhões de toneladas de soja na safra 2007/2008. Do volume total previsto para as exportações de soja este ano (25,7 milhões de toneladas) a soja não transgênica participa com 2,8 milhões de toneladas. Já as exportações de farelo e proteína de soja não transgênicos somam 4,5 milhões de toneladas.Hoje, os principais Estados produtores de soja não transgênica são Mato Grosso, Goiás, Paraná, Tocantins e Bahia. No País, calcula a Abrange, 60% da produção de soja é não transgênica. "Somos o único país capaz de abastecer o mundo, porque os EUA e a Argentina já cultivam praticamente 100% de grãos transgênicos", diz Sousa."A Europa é o mercado que mais valoriza os não transgênicos", diz o gerente de Desenvolvimento de Mercados da Imcopa, Osires de Melo. A Imcopa compra 2 milhões de toneladas de soja não transgênica/ano, de cooperativas do Paraná.Prova do potencial do mercado é que a Imcopa, hoje, é a maior produtora mundial de um farelo concentrado de proteína, usado por fabricantes de ração para salmão, que substitui a farinha de peixe. Além desse farelo, exporta farelo de soja, lecitina de soja, óleo de soja refinado e bruto e até etanol de soja. "Repassamos metade do prêmio para as cooperativas."Sousa explica que, por segurança e exigência dos mercados, toda a produção é certificada, da semente ao armazém. As empresas exportadoras fiscalizam plantio, transporte e colheita e inspecionam a limpeza de plantadoras e colhedoras, tudo para garantir a segregação correta dos grãos. Ao entregar a produção, são feitos os testes de transgenia. Se for um lote 100% puro, o produtor recebe o prêmio. Se for detectada "mistura", ou contaminação por grãos transgênicos, a safra não é devolvida, mas o produtor perde o prêmio. 6 milhões de toneladasé o volume produzido pelas associadas da Abrange eque representa 10% da safra7 milhõesde toneladas de soja e derivados não transgênicos são exportados, sobretudo para a EuropaR$ 1é o valor do prêmio que o produtor recebe pela saca de soja não transgênica, em média, em GO e no PR

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