Soldados amotinados atacam palácio no Mali

Soldados amotinados atacaram na quarta-feira o palácio presidencial do Mali numa aparente tentativa de golpe, segundo fontes diplomáticas e do Ministério da Defesa do país africano.

DAVID LEWIS, REUTERS

21 Março 2012 | 19h46

Disparos de armas pesadas foram ouvidos em Bamako, a capital, e os amotinados - descontentes com a reação do governo a uma rebelião no desértico norte malinês - tiraram a emissora estatal do ar e assumiram o controle de vários bairros.

"Agora sabemos que é um golpe de Estado que eles estão tentando", disse um funcionário do Ministério da Defesa, pedindo anonimato. Um diplomata confirmou os confrontos no palácio presidencial.

Muitos militares discordam da posição adotada pelo governo diante da rebelião tuaregue que já causou dezenas de mortes e levou quase 200 mil civis a fugirem das suas casas no Saara.

Os soldados exigem armas melhores para enfrentar os rebeldes, que recebem ajuda de combatentes egressos da guerra civil líbia. Mas pelo menos um dos amotinados disse que havia a intenção de derrubar o presidente Amadou Toumani Touré.

"Ele precisa deixar o poder, é isso. O movimento só irá parar com a tomada do palácio", disse o sargento, que não se identificou.

O governo malinês não se manifestou oficialmente, mas inicialmente a presidência usou sua conta no Twitter para negar que houvesse um golpe em curso.

Touré, no poder desde 2002, disse que planeja deixar o cargo após as eleições de abril. Ex-comandante paraquedista, ele comandou o golpe que derrubou uma ditadura em 1991, e abdicou ao poder no ano seguinte, para retornar depois pelas urnas.

Dezenas de amotinados em picapes dominaram a área em torno da emissora pública, no centro de Bamako, e a programação saiu do ar após cerca de dez minutos de disparos de armas automáticas. Grupos de jovens, alguns aplaudindo e queimando pneus, se reuniram nos arredores.

A França, ex-potência colonial do Mali, pediu aos cidadãos locais que respeitem a ordem constitucional e preservem a democracia.

Uma fonte militar disse que o estopim dos incidentes de quarta-feira foi a visita feita pelo ministro da Defesa a um quartel na localidade de Kati, cerca de 20 quilômetros ao norte da capital.

"O ministro foi falar à tropa, mas a conversa transcorreu mal, e as pessoas ficaram se queixando sobre a forma de lidar com a crise no norte", disse essa fonte.

Um funcionário do ministério que acompanhou a visita disse que um soldado acusou o ministro de traição por não dar aos militares os meios necessários para enfrentar os rebeldes.

Os soldados então teriam começado a atirar pedras no ministro, antes de pegarem armas nos depósitos e começarem a dar tiros para o alto.

(Reportagem de Tiemoko Diallo e Adama Diarra)

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