Soldados matam presidente de Guiné-Bissau

Soldados mataram o presidente de Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, na segunda-feira em um aparente ataque motivado por vingança horas depois de o comandante do Exército da nação no oeste africano ter sido assassinado, disseram moradores e fontes da área de segurança. Tiroteios e explosões ressoaram na cidade de Bissau nas primeiras horas da segunda-feira. A maior parte dos moradores ficou em casa, e não estava claro quem controlaria o país. "A morte do chefe de Estado João Bernardo Vieira está confirmada. Sua mulher está na embaixada angolana", disse à Reuters Sandji Fati, um coronel aposentado do exército, na capital Bissau. "Nino Vieira recusou-se a deixar sua residência quando diplomatas da embaixada angolana foram apanhá-lo e à sua mulher para um local seguro", afirmou Fati. Fontes ligadas à área de segurança conformaram a morte do presidente, e dois moradores de Bissau que vivem perto de sua casa afirmaram ter sido informados por guardas presidenciais que Vieira havia sido morto ali. A ex-colônia portuguesa, de 1,6 milhões de habitantes, sofreu com anos de golpes e conflitos civis e tem sido usada nos últimos anos como rota por traficantes latino-americanos de cocaína visando o mercado europeu. Vieira é um ex-militar que governou o país até ser deposto em uma guerra civil na década de 1990. Ele retornou ao poder em uma eleição em 2005. O presidente vinha entrando em choque com o chefe das forças armadas, general Batista Tagme Na Wai, que foi morto em um ataque na noite de domingo que também destruiu parte do quartel-general das forças armadas. "Na noite passada, o chefe do Estado-Maior foi morto, e o presidente foi morto nesta manhã enquanto tentava deixar sua casa. Sua casa foi atacada por um grupo de militares", disse à Reuters uma autoridade do bloco regional da África ocidental, Ecowas, que pediu para não ser identificado. Uma fonte de segurança disse que soldados da etnia balante, a mesma de Tagme Na Wai, lideraram o ataque a Vieira, e saquearam sua casa. "Tagme sempre disse que seu destino e o do presidente estavam ligados. E que, se ele morresse, o presidente também morreria", disse a fonte. Portugal condenou ambos os ataques em um comunicado e fez um apelo para "o total respeito à ordem constitucional no país". (Reportagem adicional de David Lewis, em Dacar, e Andrei Khalip, em Lisboa)

ALBERTO DABO, REUTERS

02 de março de 2009 | 08h04

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