Soldados patrulham norte da Nigéria após rebelião eleitoral

Soldados patrulhavam as ruas do norte da Nigéria, majoritariamente muçulmano, nesta terça-feira, e ativistas começaram a levantar o saldo de mortes da rebelião sangrenta contra a vitória eleitoral do presidente Goodluck Jonathan.

JOE BROCK E MIKE OBOH, REUTERS

19 de abril de 2011 | 11h30

A Cruz Vermelha disse que muitas pessoas morreram, centenas ficaram feridas e milhares foram desalojadas na segunda-feira durante os protestos por todo o norte nigeriano de apoiadores do rival local de Jonathan, o ex-militar Muhammadu Buhari, que afirma que a eleição foi forjada.

Igrejas, mesquitas, casas e lojas foram saqueadas.

No início desta terça-feira havia bolsões de violência nas imediações das grandes cidades, onde a presença militar é menor.

"Houve uma escalada em áreas de Zamfara, Katsina e Kaduna (Estados), nas cercanias das capitais," disse Umar Mairiga, coordenador da administração de desastres naturais da Cruz Vermelha.

Socorristas disseram que não puderam chegar às vizinhanças mais afetadas e ainda não podem fornecer um saldo de mortes, embora um toque de recolher imposto em pelo menos cinco Estados pareça ter sido relaxado para permitir a movimentação em algumas áreas.

Pneus queimados em ruas laterais eram vistos em vários quarteirões na vizinhança de Tudun Wada, na cidade de Kaduna. Soldados ocupavam postos de controle a cada poucas centenas de metros. Os feridos lotavam as ruas do lado de fora de um hospital do Exército, vários com curativos ensangüentados em volta da cabeça.

Moradores cristãos que fugiram para alojamentos militares e policiais em Kano para se abrigar durante os tumultos culpavam Buhari, cujo partido se recusou a aceitar os resultados segundo os quais Jonathan venceu a eleição de sábado com 59 por cento dos votos.

"Como ele pode alegar fraude? Jonathan ganhou em todo o país. Eles deveriam aceitar os resultados ao invés de matar e destruir pessoas e propriedades," disse Olaoye Ade, que fugiu com sua esposa e seus filhos para instalações policiais em Kano.

"Estou aqui com minha família no alojamento ao invés de comemorar a recém-fundada democracia da nação."

Os números da votação mostram o quão polarizado está o país de 150 milhões de habitantes, com Buhari, de 68 anos, arrebatando o norte e Jonathan, de 53 anos, conquistando o sul de maioria cristã.

Observadores afirmaram que o pleito foi o mais justo em décadas na nação mais populosa da África, que tem um longo histórico de eleições manchadas por fraude e intimidação.

Diplomatas, analistas e apoiadores do partido governista criticaram Buhari, que tem forte apoio da população nativa do norte, por não ter pedido calma de maneira clara e condenar a violência sendo perpetrada em seu nome.

(Reportagem adicional de Joe Bavier em Kaduna)

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