Soldados retiram-se de obras do Rio São Francisco

Os militares que tocavam as obras iniciais da transposição do Rio São Francisco nos canteiros de Cabrobó e Floresta (PE) deixaram os locais, quatro dias depois de o Tribunal Regional Federal (TRF) do Distrito Federal expedir uma liminar determinando a paralisação do trabalho. Segundo integrantes da Infantaria que trabalham no lugar - e que são impedidos de se identificar -, a decisão provisória chegou apenas no fim da tarde de hoje, o que justificaria o atraso entre a determinação do Judiciário e a suspensão das obras. De acordo com o grupo Articulação São Francisco Vivo, o ofício chegou apenas depois que o Ministério Público Federal (MPF), requerente da interrupção das atividades, enviou-o aos soldados - o governo federal não teria expedido o documento.Em greve de fome há 17 dias, completados hoje, em protesto contra o projeto, o bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, não comemorou a novidade e decidiu manter o jejum. "Até que o Estado se pronuncie, oficialmente, sobre o caso, até que as tropas sejam, definitivamente, retiradas, nada muda no meu protesto", afirma. Em conversa com o bispo de Propriá (SE), d. Mário Rizzi, que o visitou hoje, d. Cappio voltou a manifestar a preocupação com o fato de as obras serem tocadas pelo Exército. "É uma atitude que agride a democracia, ao usar a força das tropas para intimidar as pessoas", afirma. Informações recebidas pela Articulação São Francisco Vivo dão conta que a maioria dos integrantes das tropas continua alocada nas proximidades dos canteiros, apesar de alguns integrantes terem deixado o local.Hoje, o bispo de Barra recebeu a solidariedade dos três irmãos e e dois cunhados, que, desde o início do protesto, o acompanham em Sobradinho (BA), a 554 quilômetros a noroeste de Salvador. A manifestação de apoio repetiu o ritual do dia 7, quando 25 pessoas passaram 24 horas sem comer em apoio a d. Cappio.FestasO apoio da família demonstrou que os irmãos dele não têm a intenção de negociar o fim da greve de fome. "Nosso papel, aqui, é apoiá-lo em seus propósitos até o fim", afirma o aposentado João Franco Cappio, de 71 anos. "Se for necessário, nós mesmos o colocaremos num caixão e levaremos à cidade de Barra, onde ele quer ser enterrado." De acordo com Franco Cappio, a idéia da família é passar as festas de fim de ano com ele no local, se for preciso.Para amanhã, está previsto o início de uma vigília em apoio a d. Cappio e contra a transposição, sem previsão de encerramento, na Praça da Sé, na capital baiana. O movimento, capitaneado pelo Fórum Permanente de Defesa do Rio São Francisco na Bahia, pretende atrair movimentos sociais diversos em solidariedade ao protesto do bispo.

TIAGO DÉCIMO, Agencia Estado

14 de dezembro de 2007 | 19h56

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