Solução é boa, desde que seja passageira

Ministro falou ao ''Estado'', por telefone, sobre a indicação de policiais federais como secretários de Segurança

Entrevista com

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2009 | 00h00

Como o senhor enxerga esse movimento de policiais federais assumindo as Secretarias estaduais de Segurança?

Eu vejo esse processo positivamente, desde que seja passageiro. Acho que não pode se fixar como regra permanente porque isso deprecia, se for mantido a longo prazo, os quadros políticos e de gestão que os Estados devem formar para chefiar suas próprias secretarias. Mas acho que no momento atual é positivo porque muitos Estados tinham graves problemas de corrupção e a presença de um quadro da PF deu sustentação aos governadores que estavam interessados em desencadear um conjunto de investigações. Parte do sistema policial estava envolvido com o crime organizado, parte era leniente por ter algum tipo de cumplicidade.

Quais as vantagens que o policial federal tem ao assumir o cargo?

Preparo, experiência incomparável. Não só pela formação na academia, mas pela experiência no combate à criminalidade, que incorporou um sistema complexo de investigação. Vai desde o treinamento da investigação comum a relações internacionais e vantagens tecnológicas que ajudam na inteligências das operações.

Como eles são indicados? Há uma consulta ao Ministério da Justiça?

Existem duas formas. A primeira é quando o governador solicita ao diretor geral da Polícia Federal e o diretor me propõe. Na maioria dos casos, os governadores se reportam diretamente a mim, pedindo a liberação dos policiais e explicando os motivos.

Os homicídios cresceram em 11 dos 17 Estados comandados por federais. Isso significa que os resultados não estão aparecendo?

Os resultados aparecem lentamente, porque a primeira questão que é enfrentada, com a ajuda dos governadores, é a luta contra a corrupção. Com resultados positivos. Em segundo lugar, porque não adianta mudar o secretário sem mudar o aparato, o que exige a integração do Estado em novos parâmetros, novos modelos de segurança pública, que vão desde um pagamento melhor aos policiais, ao aporte de veículos, infraestrutura, armamentos, tecnologias da informação que preparam mais adequadamente seus quadros. Isso, sim, está em processo. No meu entender, são positivos, mas não são espetaculares. Os resultados de profundidade vão aparecer com a ajuda do Programa Nacional de Segurança e Cidadania.

Como o Brasil pode lidar com a questão do crack?

Todos os dias, volumes de cocaína extraordinários estão sendo apreendidos pela PF. Mas isso não vai adiantar se não aprofundarmos as relações bilaterais com os Estados que têm fronteiras com o Brasil.

Evo Morales e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) não são uma barreira no avanço dessas políticas?

As Farc para nós não é problema porque não fazem operações em nosso território e os limites com a Colômbia estão bem resguardados. O Evo Morales vem incentivando uma parceria forte entre a polícia da Bolívia, que está se reformando, com os nossos policiais. Resultou no fechamento de uma fábrica de cocaína que funcionava havia nove anos.

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