Sonda européia ajuda a entender história da água em Marte

Modelo de computador e fotos do espaço sugere um ciclo de transporte de água entre os pólos do planeta

16 Julho 2007 | 15h18

Dados levantados pela sonda européia Mars Express permitem que cientistas proponham um modelo para explicar como a órbita do planeta ao redor do Sol afeta os depósitos de gelo de água no Pólo Sul do planeta. A presença de camadas antigas de gelo no pólo marciano já havia sido detectada anteriormente, mas só agora, diz a Agência Espacial Européia (ESA) é possível propor um mecanismo para explicar a idade e a formação desses depósitos. O mapeamento do gelo feito pelos instrumentos da sonda mostram que os depósitos no Pólo Sul são de três tipos: gelo de água misturado com gelo seco (CO2 congelado), trechos de gelo de água com dezenas de quilômetros de espessura e e depósitos cobertos por uma camada de gelo seco. O primeiro tipo de reservatório de gelo confirma a hipótese de que o CO2 congelado age como uma "armadilha" que aprisiona o gelo de água. A explicação dos outros dois tipos de depósito, no entanto, representa um desafio maior. Agora, de unindo dados da sonda a modelos de computador do clima marciano, o pesquisador Franck Montmessin acredita tef chegado a uma resposta. "Acreditamos que os depósitos de gelo de água passam entre os pólos norte e sul de Marte, em um ciclo de 51.000 anos, correspondendo ao período em que a precessão do planeta está investida", disse ele, em nota divulgada pela ESA. Precessão é o fenômeno de variação do eixo de rotação de um planeta. A equipe de Montmessin chegou a ESA conclusão ao rodar uma simulação do clima de Marte em direção ao passado. Eles pediram ao computador uma descrição de como o clima marciano teria sido há 21.000 anos, quando a aproximação máxima entre o planeta e o Sol corresponderia ao verão no hemisfério Norte, situação oposta à atual. O modelo mostrou que a água no norte Ear instável e se transferia facilmente para o sul, sob a forma de vapor de água, voltando a congelar-se no pólo. A taxa de deposição era de 1 ml ao ano. O ciclo se invertia periodicamente, enviando água de volta ao norte. Mas, há cerca de 1.000 anos, a erosão do gelo no sul foi bloqueada pela formação das "armadilhas" de CO2.

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