'Sou o primeiro da família na universidade'

Depoimento de Vincent Lukas Gonçalves, negro, 19 anos, aluno da PUC-SP

O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2012 | 03h07

"Sempre estudei em escolas públicas até entrar na PUC. Passei por escolas municipais em Taboão da Serra, onde moro, e depois na Escola Técnica Guaracy Silveira, no ensino médio. É a primeira vez que estou em uma instituição privada, com bolsa do ProUni.

Sempre achei justa a política de cotas. Acho que ela foi criada com a intenção de dar uma indenização histórica e o motivo é nobre.

A mensalidade em Economia é de R$ 1,6 mil, seria muito fora da minha realidade. Apesar de receber a bolsa, ainda tenho uma série de gastos mensais com livros, cópias, transporte e alimentação que chega a R$ 400. Moro com meu avô aposentado e meu pai, que hoje trabalha com instalação elétrica, faz de tudo um pouco. A coisa é bem apertada.

Sou o primeiro da minha família a chegar ao ensino superior. Eu instaurei na família a bandeira de pessoas que entraram na universidade.

A PUC é muito boa, mas são poucos negros. Ainda mais de manhã, período em que estudo. Tem três negros na minha sala: eu, outro bolsista do ProUni e um garoto que trabalha na PUC, por isso também tem bolsa. Falam em inclusão, mas eu não vejo essa mudança. Um, dois, isso não é inclusão."

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