SP vai retomar projeto de construção do Rodoanel Norte

O governo estadual vai retomar amanhã o projeto de construção do Trecho Norte do Rodoanel. Na sexta-feira, será publicada no Diário Oficial do Estado a reabertura da licitação para as obras do polêmico trecho, que passará por diversas áreas de proteção ambiental. O processo ficou congelado por cerca de cinco meses, após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Tribunal de Contas da União (TCU) paralisarem a concorrência em novembro do ano passado. Após o atraso, o novo trecho de 47,4 km deverá ficar pronto apenas em 2015.

RODRIGO BURGARELLI, Agência Estado

05 Abril 2012 | 20h55

O Trecho Norte será a maior obra viária da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) e vai completar o anel rodoviário ao redor da Grande São Paulo. O objetivo é poder aumentar a restrição de caminhões que hoje têm de cruzar a região metropolitana para ir para o interior ou o litoral, o que melhoraria o tráfego em cidades como São Paulo, Guarulhos e ABC e diminuiria a carga de poluição no ar. Hoje, os trechos Oeste e Sul já estão operando. O próximo a ficar pronto deverá ser o Leste, em 2014, que já está em obras desde o ano passado.

O custo total do trecho Norte será de R$ 6,5 bilhões, divididos entre governo estadual (R$ 2,8 bi), financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID - R$ 2 bi) e governo federal (R$ 1,7 bilhão). Só as obras vão custar R$ 4,9 bilhões e serão dividias em seis lotes. Cada empresa poderá ganhar até dois diferentes. "Esperamos aumentar a concorrência com esse modelo", afirma Laurence Casagrande, presidente da Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), empresa estadual que está gerenciando o processo.

O valor restante será gasto com as desapropriações, reassentamento de famílias, supervisão de obras e outros serviços. A entrega dos envelopes da licitação das obras deverá ser feita no dia 15 de maio. "Em uma perspectiva otimista, acredito que em julho de 2012 todos os contratos já estejam assinados. Mas, como será uma licitação internacional, é possível que a análise dos papéis da pré-qualificação demore mais. Nesse caso, a assinatura deverá ocorrer perto de setembro, acredito", diz Casagrande.

Segundo ele, grupos japoneses, americanos e europeus já manifestaram interesse em participar das obras. "Queremos que eles participem e aumentem a competição, ofertando preços mais baratos. Por causa da crise internacional, vários grupos estão com capacidade ociosa no exterior", explica o presidente da Dersa. Ele também reclamou da demora dos tribunais de conta em liberar a licitação - depois de cerca de cinco meses embargado, o processo foi liberado sem a necessidade de qualquer modificação nos editais. "Isso é horrível para todo mundo. É ruim para a população, que não tem a infraestrutura funcionando, e para o Estado que fica com o dinheiro parado".

Após o término das obras, o Trecho Norte do Rodoanel deverá ser concedido à iniciativa privada, que cobrará pedágio por quem passar por lá. Segundo Lawrence, esse modelo é necessário para financiar obras futuras do governo estadual. "Vamos pedir uma outorga da empresa vencedora da concessão. Esse é o trecho mais caro de todos do Rodoanel, pois terá quase 7 km de túneis, então não seria viável para que o investidor privado bancasse toda a obra", afirma. A empresa espera obter cerca de R$ 2 bilhões com a outorga do trecho.

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