Spams usam Twitter para se proliferar

Apesar dos problemas recentes com servidores da plataforma, spams se multiplicam e são ameaça a internautas

FILIPE PACHECO,

23 Junho 2008 | 00h00

O Twitter não para de causar. Nos últimos dois meses, problemas com a estabilidade do sistema de microblogging foram constantes. Nesse período, "baleiar" virou verbo para algo que não está funcionando direito entre os entusiastas dos microposts (quando a rede social está fora do ar, mostra o desenho de uma baleia sendo erguida por pássaros). Agora, a proliferação de spams ameaça a credibilidade da ferramenta. Desde que foi lançado, no ano de 2006, a rede social baseada no envio e recebimento de mensagens de curta extensão (até 140 caracteres escritos pelo site, por celular ou comunicador instantâneo) agita o mundo daqueles que pretendem se manter antenados com as tendências. Entre os meses de abril e maio de 2008, o número de acessos a páginas do Twitter cresceu absurdamente para um período de tempo tão curto. No mês de abril, cerca de 1,24% dos internautas brasileiros visitaram uma das páginas da rede social, segundo dados do grupo de pesquisas de mídia Ibope NetRatings. Em maio esse número chegou a 2,4% dos usuários brasileiros - ou quase 558 mil visitantes. Isso não significa que todas essas pessoas criaram um perfil e começaram a postar pelo Twitter, mas sim que elas passaram por alguma página da rede social. O que explica, em parte, este boom? Uma outra rede social muito conhecida dos brasileiros, o Orkut. Segundo José Calazans, analista de mídia do Ibope, mensagens com links que remetiam ao Twitter começaram a se proliferar no Orkut. As pessoas, ao clicarem no link que acompanhava os posts, são encaminhadas para uma página do Twitter. "Desses visitantes temporários do Twitter entre os meses analisados, 81% vieram pelo Orkut"diz Calazans. PROLIFERAÇÃO DE SPAMS A maioria dos links clicados no Orkut não levava os internautas a perfis do Twitter, mas sim a possíveis ameaças já conhecidas pela rede, típicos casos de spams – ou mensagens enviadas em massa que podem encaminhar para uma página com conteúdo malicioso que pode roubar informações do usuário. O que passou a acontecer é vincular o site twitter.com, popular no momento e considerado "um lugar seguro", a conteúdo suspeito e com mensagens típicas de spams, como "veja o cartão que você recebeu" ou "clique para ver o vídeo", sempre com conteúdo apelativo. Este repórter do Link fez o teste com dois desses endereços. No primeiro, o site remetia a uma outra página com conteúdo de vídeo. Ela foi bloqueada pelo sistema de proteção do Estado, por ser considerada uma fraude. Já ao entrar na segunda página e clicar no endereço encontrado, imediatamente uma mensagem de segurança do nosso sistema interno reconheceu um arquivo baixado automaticamente e o excluiu da máquina. A ameaça foi detectada como um cavalo-de-tróia, com o nome Banker-PSW. Para Braulio Escobar, diretor de treinamento da empresa especializada em segurança virtual F-Secure, "deve prevalecer o bom senso". "É preciso ter cuidado sempre ao clicar, e o cuidado é redobrado quando o assunto é rede social." Para ele, um dos diferenciais do Twitter é que a pessoa precisa concordar com o recebimento dos microposts por quem decide adicioná-las, e deve haver critérios para essa aceitação. "Perfis suspeitos podem ser uma possível fonte de ameaças, e devem ser evitados como em qualquer outra rede social." ANTENADOS Apesar da fragilidade recente do Twitter, ele continua a empolgar os ávidos por novas tecnologias. "É muito frustrante ter de se deparar com a mensagem de erro da baleia constantemente", diz Raquel Camargo, estudante universitária de Belo Horizonte que coordena um blog sobre o Twitter. Ela reclama que, paralelamente a ocorrência de spams,posts com mensagens publicitárias começaram a se proliferar pelo Twitter. Para Alberto Apolinário, diretor da empresa de publicidade focada em redes sociais Empório de Mídia, " é uma tendência natural que empresas busquem divulgar seus produtos em novas plataformas, como o Twitter". Ao mesmo tempo, ele alerta que "isso deve ser feito de forma ética e equilibrada, justamente para que não passem a ser confundidas com spams".

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