Spielberg ameaça deixar cargo na Olimpíada de Pequim

Cineasta é diretor artístico de jogos e que quer China tome posição contra o Sudão.

BBC Brasil, BBC

27 de julho de 2007 | 15h30

O cineasta Steven Spielberg está disposto a deixar o cargo de diretor artístico das Olimpíadas de Pequim a não ser que a China assuma uma posição mais severa contra o Sudão, segundo informações do portal de notícias na internet da rede de televisão americana ABC.A China, um dos grandes investidores da indústria petrolífera do Sudão, foi criticada por não enviar tropas de paz da ONU para a região de Darfur."Steven tomará uma decisão nas próximas semanas a respeito de seu trabalho com os chineses. Nosso maior interesse é acabar com o genocídio (no Sudão). Mas ninguém sabe muito bem como fazer isso", afirmou o porta-voz do cineasta, Andy Spahn, ao portal de notícias da ABC.Grupos de defesa dos direitos humanos acusaram a China de vender armas para o Sudão, que acabaram na região de Darfur."Steven é um dos muitos conselheiros para os Jogos Olímpicos de Pequim e está tentando usar os jogos para engajar os chineses nesta questão", disse Spahn.O porta-voz acrescentou que os dois lados estão mantendo um "diálogo particular" e que Spielberg deve ouvir uma declaração do governo chinês "em breve".O cineasta escreveu ao presidente chinês, Hu Jintao, em maio, pedindo que a China pressionasse o governo do Sudão para que aceitasse as tropas de paz da ONU, mas esta é a primeira vez que Spielberg afirma que está pensando em abandonar seu papel nos Jogos Olímpicos.A carta do cineasta foi enviada depois de críticas feitas pela atriz Mia Farrow, que atacou o envolvimento de Spielberg nos Jogos Olímpicos de 2008 em um artigo escrito no jornal Wall Street Journal, em março."Será que o senhor Spielberg realmente quer entrar para a história como a Leni Riefenstahl dos Jogos de Pequim?", escreveu a atriz, comparando o diretor à cineasta alemã que teve o apoio dos nazistas ao fazer um filme sobre os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936.Em junho a China anunciou um plano para lançar um fundo de US$ 1 bilhão para aumentar o comércio e investimento na África, mas a medida gerou acusações de que os chineses estavam praticando colonialismo moderno.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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