Startup Brasil

"O pacote existe agora por que o governo ficou com ciúmes do programa chileno", diz o empreendedor Flavio Pripas sobre o pacote de investimentos TI Maior, lançado na semana passada pelo governo federal. Pripas, dono da startup Fashion.me e organizador do encontro Br New Tech, aposta que a chance de o plano vingar é justamente por meio das empresas nascentes de tecnologia.

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2012 | 03h08

O programa de investimentos oferecerá um estímulo de R$ 486 milhões a ser aplicado na produção de software no Brasil, e estabelecerá uma política de incentivo às startups. Cerca de R$ 40 milhões serão destinados a formar ao menos quatro empresas aceleradoras, responsáveis por orientar as novas iniciativas. Até 2014, espera-se que elas acompanhem 150 startups.

Pripas diz que o "custo Brasil" ainda é o principal problema para as startups nacionais. "É caro contratar pessoas e operar uma empresa aqui. A maior parte do dinheiro vai para o governo, contabilidade ou para publicar informes em jornais. A lei é atrasada. E minha empresa nem faturamento tem ainda!", desabafa.

O empreendedor, que está criando uma subsidiária em Nova York ("lá tudo é mais barato"), apoia a ideia do governo de direcionar a atuação das startups para áreas estratégicas como saúde, energia ou petróleo. "O governo tem que ter metas, não dá para replicar o modelo do Vale do Silício, nem o chileno, onde se investe em qualquer boa ideia. Mas também, se focar demais, às vezes não se dá abertura para inovações. Tudo tem que ser bem coordenado."

Protecionismo. Segundo o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) os setores que receberão os investimentos serão educação, saúde, petróleo, energia, eventos esportivos e "tecnologias estratégicas", como software livre e computação na nuvem.

A Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro) elogiou o plano, mas chamou a meta do governo para dobrar o faturamento de TI de "conservadora". Ainda disse esperar não estar diante de um "instrumento de marketing político". A Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) questionou a preferência do governo pelo software livre, apontado como culpado pela baixa participação de software nacional no mercado interno.

"Não temos o objetivo de restringir o mercado brasileiro", defende Virgílio Almeida, secretário de política da informática do MCTI. Almeida elogia a ideia de certificar o software desenvolvido no País. Isso abriria uma brecha legal para que o governo garanta a preferência aos produtos certificados nas licitações. "Assim a gente privilegia a empresa nacional e equilibra a balança comercial."

Murilo Roncolato

murilo.roncolato@estadao.com

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.