Stédile culpa parada na reforma agrária por confrontos

O economista João Pedro Stédile, um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), culpou a paralisação da reforma agrária pelas mortes e confrontos no Sul do País. "As forças conservadoras do interior perceberam a morosidade do governo e se articularam com as transnacionais. Se houvesse uma reforma agrária em curso, teríamos evitado (os confrontos)", declarou Stédile hoje, após participar da Conferência Internacional Vozes da Nossa América, na Universidade Rural do Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense."A reforma agrária está paralisada no País. O governo federal trata o assunto como uma questão marginal, com medidas de compensação social, levando cestas básicas para acampados", disse o líder do MST. Segundo ele, no Rio Grande do Sul, onde um conflito com a polícia deixou 8 sem-terra feridos em Sarandi ontem, o governo federal assentou 300 famílias nos últimos cinco anos. "Em quatro anos, o governo Olívio Dutra (1999-2003) assentou oito mil famílias em pleno governo FHC (Fernando Henrique Cardoso), que não queria nada com a reforma agrária. Isso é vergonhoso, inadmissível. Estamos lá com três mil famílias acampadas há 5 anos que não têm mais o que perder", disse Stédile.O líder do MST disse que a desapropriação de duas fazendas assentaria as três mil famílias. "A primeira é a Fazenda Soltal, no município de São Gabriel, cujas dívidas com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e bancos oficiais é maior que o valor dos quase oito mil hectares. A outra é a Fazenda Coqueiros, em Coqueiros do Sul, cujo processo está na Casa Civil há um ano e o governo não toma uma atitude", acusou Stédile. Sobre os confrontos em Santa Teresa do Oeste, no interior do Paraná, que deixaram dois mortos no domingo, Stédile disse que a ocupação visava pressionar o Poder Judiciário para decidir sobre a desapropriação da área que, segundo ele, seria transformada em um "centro de reprodução de sementes nativas" e acusou a multinacional Syngenta Seeds de se unir ao Movimento dos Produtores Rurais para contratar "uma empresa de pistoleiros". Em nota, a Syngenta negou ter solicitado à empresa terceirizada se envolvesse em confronto e informou que os seguranças deviam "prestar serviços desarmados".

PEDRO DANTAS, Agencia Estado

25 de outubro de 2007 | 18h10

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