Stephen King critica proibição de videogames violentos

O escritor disse ficar furioso com o fato de políticos decidirem assumir 'o papel de pais substitutos'

Reuters

08 de abril de 2008 | 15h52

O escritor de histórias de horror Stephen King criticou os planos de um Estado norte-americano para proibir os videogames violentos, declarando que a medida seria antidemocrática e que cabe aos pais monitorar o entretenimento de seus filhos. King, em uma coluna sobre cultura pop que ele escreve para a revista Entertainment Weekly, disse não ser fã de videogames, mas se declarou indignado ao ouvir falar de um projeto de lei do Estado de Massachusetts que proibiria a venda de videogames violentos para pessoas com menos de 18 anos. "O que me deixa furioso é que políticos decidam assumir o papel de pais substitutos. Os resultados disso são usualmente desastrosos, além de antidemocráticos", escreveu King. A decisão surge em meio ao debate corrente nos EUA, Austrália e Reino Unido sobre a proibição de videogames violentos. As autoridades britânicas e irlandesas no ano passado proibiram o jogo Manhunt 2, no qual um paciente escapa de um asilo para pessoas com problemas mentais e sai em uma matança descontrolada. Não há informações definitivas sobre uma relação causal entre videogames agressivos e comportamento violento. King, autor de histórias como O Iluminado e Carrie, a Estranha, que foram transformadas em filmes de horror em Hollywood, afirmou que lhe parece que os jogos apenas refletem a violência que já existe na sociedade. "O que me deixa realmente incomodado é a avidez dos políticos em fazer da cultura pop o objeto de sua reprovação. É fácil para eles, e até mesmo divertido, porque a cultura pop é sempre ruidosa. E isso também permite que os legisladores ignorem os elefantes na sala", ele afirmou. King apontou que já existe um sistema de classificação etária para videogames e que proibi-los era inútil porque os jovens sempre encontrariam maneiras de obtê-los, caso desejassem. Ele argumentou que a crescente disparidade entre os privilegiados e os excluídos, nos EUA, e as leis do país quanto à posse de armas contribuem mais que os videogames para o comportamento violento. O escritor afirmou que era fácil para os críticos dos videogames alegar -- falsamente, como ficou provado mais tarde - que Cho Seung-Hui, o autor dos assassinatos múltiplos na Virginia Tech, era fã do videogame Counter-Strike. "Se ele tivesse só uma arma de plástico do videogame, não teria conseguido nem se matar", escreveu King.

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