STF estaria atrás de 'prova diabólica', diz Mendes ao condenar políticos

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quarta-feira que a Corte poderia estar à espera de uma "prova diabólica, impossível" ao não considerar elementos que comprovariam a participação de um ex-parlamentar petista no esquema do mensalão.

Reuters

17 de outubro de 2012 | 16h49

Mendes seguiu voto do relator, Joaquim Barbosa, ao condenar os petistas Paulo Rocha e João Magno e o ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto por lavagem de dinheiro no esquema de compra de apoio parlamentar ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Penso que a Corte estaria a exigir do Ministério Público uma prova diabólica, uma prova impossível, que, lamentavelmente escancara a porta da impunidade", disse Mendes ao ler seu voto, apontando para elementos que caracterizariam o conhecimento do esquema por parte de Paulo Rocha.

Rocha é acusado de ter recebido 820 mil reais do publicitário Marcos Valério, principal operador do esquema, atráves dos meios de lavagem de dinheiro oferecidos pelo Banco Rural.

"Paulo Rocha tinha plena ciência das origens escusas e criminosas dos recursos", disse Mendes.

Além de Barbosa e Mendes, os ministros Luiz Fux e Celso de Mello votaram pela condenação. Outros cinco magistrados votaram pela absolvição destes réus.

O presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, ainda votará, o que abre a possibilidade de empate na votação, já que a Corte atua com 10 ministros desde a aposentadoria do ministro Cezar Peluso, em setembro.

O ex-deputado João Magno é acusado de ter recebido 360 mil reais do esquema e Anderson Adauto teria sido o beneficiário de 950 mil reais de Valério.

Mendes disse, também, haver provas nos autos que demonstram o recebimento dos valores pelos réus.

O ministro também acompanhou Barbosa ao votar pela absolvição do ex-líder do governo à época em que o escândalo veio à tona, o petista Professor Luizinho, de Anita Leocádia, ex-funcionária de Rocha, e de José Luís Alves, ex-assessor de Adauto.

O ministro Celso de Mello ainda não encerrou seu voto. O julgamento da ação penal deve ser encerrada na próxima semana. Após este capítulo, Barbosa iniciará a leitura do último item restante, relativo à formação de quadrilha.

(Reportagem de Hugo Bachega)

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