STF ouve defesa de ex-diretores de banco e João Paulo Cunha

O Supremo Tribunal Federal (STF) terá mais um dia destinado à defesa dos réus do chamado mensalão nesta quarta-feira, quando os advogados dos acusados de integrarem o núcleo financeiro do suposto esquema farão suas apresentações.

Reuters

08 de agosto de 2012 | 12h35

Os advogados de José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório, que faziam parte da diretoria do Banco Rural quando o suposto mensalão veio à tona em 2005, farão suas exposições no quinto dia do julgamento do processo.

Eles são acusados pelos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituição financeira. Salgado e Samarane também são acusados de evasão de divisas.

Também subirão à tribuna as defesas do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Câmara dos Deputados, e Luiz Gushiken, ministro da Secretaria de Comunicação Social do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O deputado, que é candidato à prefeitura de Osasco (SP) nas eleições de outubro, é acusado pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Gushiken é acusado por peculato, mas o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu sua absolvição na sexta-feira por falta de provas.

Gurgel defendeu a condenação de 36 dos 38 réus e a prisão imediata após o julgamento.

Cada advogado terá até uma hora para expor sua defesa.

As defesas dos acusados de compor os núcleos operacional e publicitário do suposto esquema já apresentaram suas teses no STF, e rejeitaram a existência do chamado mensalão, ao declarar que os recursos apontados pela acusação seriam para caixa dois eleitoral e pagamento de dívidas de campanhas eleitorais do PT.

O suposto mensalão, esquema de desvio de recursos e compra de apoio entre partidos da base aliada no Congresso, veio à tona em 2005 e foi a maior crise política do governo Lula.

As apresentações da defesa seguem até o dia 15, quando deverá ser iniciado o voto dos 11 ministros do STF. A exposição da defesa do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB), delator do suposto esquema, deverá ser feita no dia 13 de agosto.

Não há previsão para o término do julgamento, já que os ministros poderão levar quantas sessões precisarem para a leitura dos votos, mas há expectativa de que o processo ser acelerado para permitir o voto do ministro Cesar Peluzo, que se aposenta no início de setembro ao completar 70 anos.

(Por Hugo Bachega)

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